quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
84,3% aprovam manifestações, mostra pesquisa CNT
Para 40,3% dos entrevistados, fim da corrupção foi a reivindicação mais importante dos protestos
16 de julho de 2013 | 11h 38
Laís Alegretti e Daiene Cardoso - Agência Estado
A pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e realizada pela MDA entre 7 a 10 de julho, em 134 municípios brasileiros, aponta que 84,3% dos entrevistados aprovaram os protestos de rua que ocorreram no País recentemente. Outros 13,9% desaprovaram as manifestações.
Para 40,3% dos entrevistados, o fim da corrupção foi a reivindicação mais importante dos protestos. Outros 24,6% acreditam que a reivindicação mais importante foi por melhorias na saúde e 16,5%, pela reforma política. Em relação aos destinatários das manifestações, 49,7% dos entrevistados apontaram que os protestos são contras os políticos em geral, 21% consideram que são contra o sistema político e 15,9% não acreditam que sejam contra a presidente Dilma Rousseff.
Em relação ao motivo das manifestações, 55% apontam insatisfação com a corrupção; 47,2%, com serviços de saúde; 43,7%, com o gastos da Copa do Mundo; 30,8%, falaram de insatisfação com os preços e a qualidade do transporte público.
Médicos. A população brasileira está dividida em relação ao apoio à vinda de médicos estrangeiros, segundo a pesquisa. São a favor da importação desses profissionais 49,7% dos entrevistados e 47,4% são contra a iniciativa.
O presidente da Confederação Nacional dos Transportes, senador Clésio Andrade, afirmou que o governo não tem o apoio da maioria dos brasileiros nessa medida. "A Dilma mais perdeu do que ganhou com esse processo", disse.
domingo, 14 de julho de 2013
Dilma, a solitária
domingo, julho 14, 2013
POR EUGÊNIO BUCCI
REVISTA ÉPOCA
A solidão do poder, tratando-se de Dilma Rousseff, é um presídio. Ou, pior, é uma cela incomunicável. A presidente da República já não consegue fazer contato com seus auxiliares, com os parlamentares, com os partidos, com as centrais sindicais, com as ruas - e, principalmente, com a nação. Disciplinada, ela insiste. Marca reuniões com um grupo restrito de ministros, consulta-se eventualmente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, amiúde, segue as orientações dos profissionais de marketing a seu serviço. E nada dá certo. Como se fosse uma náufraga, perdida numa ilhota em alto-mar, a chefe do Estado brasileiro lança garrafas sobre as ondas, e suas mensagens não encontram o destinatário. Raramente, vão bater no destinatário errado. Sem respostas positivas, ela não vislumbra o que a espera. Sua solidão é sólida como a rocha e enigmática feito a esfinge.
Há um diagnóstico fácil para esse quadro clínico: a falta de comunicação que acometeu o Palácio do Planalto resulta do isolamento que se abateu sobre a presidente. Desesperados, então, seus assessores tentam até o fim, como na canção de Roberto Carlos. Num lance de aparente ousadia, tentam aproximá-la do povo que se manifesta nas ruas e, de novo, erram a mão. Bolam comunicados contundentes, inventam propostas salvadoras, lançam campanhas de televisão e, outra vez, nada funciona. O círculo da presidente não se deu conta de que o naufrágio a que ela ainda sobrevive não é fruto do isolamento, mas o contrário: o isolamento político teve início no naufrágio da comunicação. A ilha deserta em que Dilma se vê confinada não foi a causa da incomunicabilidade. Foi, isto sim, a consequência. Agora, aumentar a dose de comunicação errada não resolverá nada; a comunicação errada apenas piorará as coisas, como o mês de junho deixou claro.
Foi bem revelador o que aconteceu há duas semanas. Diante das passeatas que transformaram as ruas das cidades brasileiras em rios de gente indignada, a presidente da República resolveu falar em rede nacional de televisão. Numa das mais desajeitadas jogadas de marketing da história recente do país, deu respostas a perguntas que ninguém tinha feito. Chamou para si um amontoado de problemas que ninguém achava que fossem problemas dela. Conclamou "pactos" a que ninguém quis aderir. As reclamações dos protestos falavam das tragédias concretas da vida prática: transporte público aviltante, saúde pública miserável, educação deformante e gatunagem do dinheiro público. Dilma respondeu a todas com uma abstração complexa: a reforma política, acrescida de plebiscito e constituinte exclusiva. Esta última, o centro da fala presidencial, soçobrou nas 24 horas seguintes. O plebiscito morreu há poucos dias, na semana que passou. Quanto à reforma política - necessária, por certo, gravemente necessária, mas que não era reivindicação de nenhum dos protestos -, ficou a ver navios nas proximidades da ilha deserta. Não se sabe no que vai dar, já que tudo agora depende do Congresso Nacional.
No que era acessório, Dilma emplacou uma coisa ou outra, é verdade. Propôs chamar a corrupção de crime hediondo, e isso pegou. A história dos royalties do petróleo para a educação e saúde parece que também colou. De resto, os artifícios contábeis de bilhões para isso e aquilo foram percebidos como o que de fato eram: artifícios contábeis.
Se a presidente deu respostas descabidas a perguntas não formuladas pelas ruas, não foi por não saber falar. Foi, antes, por não saber ouvir. Para certas situações, acompanhar obstinadamente os índices de popularidade não basta. Para entender com rapidez os anseios e as aflições dos habitantes das cidades médias e grandes, não basta decifrar pesquisas de opinião. Para isso, os governantes precisam simplesmente saber conversar com gente que anda de ônibus, com médicos e pacientes da rede pública e até mesmo com deputados e senadores. É aí que entra esse componente insondável e insubstituível da administração pública: o talento político. O bom político se caracteriza por essa particular habilidade para a comunicação, que envolve o gosto pela conversa, a arte de motivar pessoas e a vocação para liderar. A comunicação do Palácio do Planalto errou a mão definitivamente quando desistiu de ser política, no sentido mais alto da palavra, e se contentou em ser técnica, matemática e meramente publicitária.
Daí vem a solidão da presidente, uma solidão que cobra caro. Dilma talvez não disponha da moeda para pagar seu próprio resgate.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Dilma: A solidão na crise
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
05 de julho de 2013 | 2h 07
Um político que não milita no Executivo nem faz parte da roda de conselheiros, mas é muito próximo de Dilma Rousseff, teve dois sugestivos diálogos na semana passada. Um com ela, no Palácio do Planalto, outro com o presidente do Senado, Renan Calheiros.
A intenção dele era ajudá-la a encontrar uma saída, mas tudo o que conseguiu foi concluir que a presidente tem consciência de que está numa encruzilhada da qual não sabe como sair e que se sente abandonada pelo PT e pelos partidos da base aliada.
"Ninguém me defende, fugiram todos", disse ela ao interlocutor. A maior parte do tempo, no entanto, ouviu calada.
O amigo lhe disse: "Você nunca quis 39 ministérios, não pediu para o Brasil sediar a Copa, de verdade não queria a parceria com o PMDB. Isso tudo é herança do Lula".
Silêncio. "Essa não é você", ponderou o amigo, aconselhando-a a reagir segundo as próprias convicções. Da Copa não é possível voltar atrás, "mas você pode reduzir o número de ministérios e deixar de lado a aliança com o PMDB", insistiu.
Silêncio. Rompido apenas para externar o desagrado por pagar a conta sozinha: "Estou apanhando de todos os lados e nem tudo é responsabilidade minha". Não falou mal de Lula, não criticou esse ou aquele aliado, não deu sinal de que tenha a mais pálida ideia do que fazer.
O interlocutor da presidente saiu dali e foi procurar o presidente do Senado para lembrar-lhe alguns fatos e cobrar lealdade. "O governo foi forçado a apoiar sua volta à presidência, não faltou ao Sarney quando ele quase foi afastado na crise dos atos secretos (em 2009), por que agora essa atitude agressiva sua e do PMDB?"
Frio como um peixe, Calheiros respondeu: "Porque ela tentou jogar a crise no colo do Congresso". Segundo consta, nada mais disse nem lhe foi perguntado.
A conversa aconteceu dias depois de o presidente do Senado ter requisitado avião da FAB para ir ao casamento da filha do líder do governo Eduardo Braga, em Trancoso (BA), enquanto o País gritava de Norte a Sul que está farto dos espertos.
Chá e antipatia. O tempo fechou na reunião ministerial de segunda-feira quando o ministro Moreira Franco (PMDB) falou em inflação em termos, digamos mais realistas que o cenário cor-de-rosa pintado pelo colega Guido Mantega.
A certa altura, a presidente Dilma Rousseff o chamou de "burro".
No dia seguinte, na reunião da executiva do partido, nenhum dos ministros do partido - só Edison Lobão não foi, alegando doença - disse uma palavra em defesa da presidente que no encontro só não foi chamada de bonitinha.
Pode até ter sido arroubo momentâneo, mas na versão original da nota oficial sobre o resultado da reunião constava a disposição de entregarem os cargos. O texto dizia algo como "que a presidente faça o que quiser com os ministérios". A turma do deixa disso ponderou que os termos poderiam soar pessoalmente ofensivos e que não era hora de radicalizar em público.
Sobre eleição e reedição da aliança com o PT, o clima, que já não era bom antes da queda de Dilma nas pesquisas, ficou muito pior, mas o momento é de indefinição.
O PMDB não vê como a presidente possa voltar ao patamar anterior, não crê na candidatura de Lula, acha que quem vai se beneficiar eleitoralmente é quem, no campo da oposição, souber capitalizar a insatisfação, mas não vê um nome no horizonte.
Telhado de vidro. O PMDB e o Congresso estão sem autoridade para revides depois que se descobriu que os presidentes da Câmara e do Senado - ambos do partido e eleitos pela maioria dos pares - fizeram uso particular de bem público em desfaçatez ímpar, dado o momento.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Dilma e o ketchup
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO - O Estado de S.Paulo
Quando um fenômeno sem precedentes ocorre, faltam parâmetros para analisá-lo. As fórmulas gastas e os chavões não servem. Para entender o que acontece com a popularidade da presidente Dilma Rousseff é preciso combinar a ciência política com a física teórica. É exótico, mas o fato em análise também é.
Desde que se começou a sondar regularmente a opinião pública sobre o desempenho dos presidentes brasileiros, após a ditadura, nunca houve uma queda como a de Dilma. Uns governantes chegaram bem mais baixo, outros perderam mais pontos, mas ninguém caiu tão rapidamente quanto a presidente caiu em três semanas.
Dilma perde dois pontos de sua popularidade por dia, em média, desde o começo de junho. É três vezes mais rápido do que a maior perda de qualquer outro presidente desde o general Figueiredo. Colocada num gráfico (http://blog.estadaodados.com/aqueda), a curva de popularidade de Dilma vira uma queda livre, tão vertical que parece que a tinta escorreu. Não é erro.
É uma avalanche. Começou aparentemente do nada e virou um cataclismo. Na física, esses eventos inesperados de proporções gigantescas são associados ao que se chama de estado crítico: um intenso acúmulo de tensões que acabam liberadas de uma vez só.
É um fenômeno tão ubíquo que ocorre tanto na crosta terrestre (os terremotos) quanto nas garrafas de ketchup. Está presente em todos os lugares, mas é impossível de prever. Ninguém sabe quantos tapas pode dar no fundo da garrafa antes de ela despejar uma dose indesejada de ketchup no sanduíche. Quando se percebe, é tarde demais. Foi o que aconteceu com a popularidade de Dilma.
Havia estresse acumulado em várias camadas da sociedade brasileira, numa trama propícia ao deslizamento. É a inflação corroendo o poder de compra dos emergentes. É a insatisfação crescente de quem viu os de cima e os de baixo subirem enquanto ele camela no mesmo lugar. É o ônibus que não anda, a escola que não ensina, o hospital que não cura. Os protestos dos filhos da classe média foram apenas o último tapa no fundo da garrafa.
Quem viajou para o exterior no fim de maio e voltou hoje terá retornado a um País diferente do que deixou. E não são só os manifestantes bloqueando o caminho do aeroporto. O Brasil rompeu um ponto crítico. O que parecia um sólido apoio popular derreteu, o que era líquido e certo evaporou.
Uma avalanche, um terremoto, um grande incêndio, uma revolução são fruto de uma sequência de fatos aleatórios que acumula cada vez mais tensão até chegar ao estado crítico. Nesse ponto, um simples grão de areia é capaz de fazer desmoronar uma montanha. É a proverbial gota d'água que transborda e rompe o dique.
Tão mais raro é o fenômeno, maior ele é. Uma avalanche como a que atingiu Dilma só se explica pelo acúmulo por décadas de tensões históricas que não encontram mais na política a sua válvula de escape. Os mecanismos de representação ficaram insuficientes para dissipar o estresse e resolver os conflitos.
Com ou sem razão, Dilma personificou a crise. Estava bem na frente quando tudo deslizou. Acabou servindo de para-choque. Mesmo se a presidente propõe algo que tem o apoio de mais de dois terços dos brasileiros - como o plebiscito e a Constituinte para reformar a política -, isso não melhora a sua imagem.
A consequência imediata é que o drive eleitoral mudou. O desejo de continuidade virou desejo de mudança. Os 25% de simpatia que o PT sustenta apesar da crise possibilitam sonhar com um lugar na reta final de 2014, mas são insuficientes para a vitória. Aumenta a pressão para Lula sair da história para voltar à vida.
Na oposição, o cenário passa a ser de briga entre os candidatos pela outra vaga, já que o segundo turno parece garantido. Tudo parece certo, até a próxima avalanche reescrever a história.
domingo, 23 de junho de 2013
O Marketing Político pode até eleger um poste...
O Marketing Político pode até eleger um poste, para cargos públicos, mas não é capaz de evitar "curtos circuitos provocados...
Os protestos que não cessam e inundam todo o País podem surpreender a muitos, mas foram causados por sucessivos erros de governança e prepotência política de stalinistas desacostumados com o contraditório do debate e evolução, necessários, à nossa jovem democracia.
Queiram ou não o jovem e promissor Brasil de hoje nasceu com a primeira eleição direta no pós ditadura, em 1989. Collor entre erros e acertos, provocou o início da abertura econômica tão necessária ao desenvolvimento moderno do nosso País.
A prepotência política e a corrupção destituíram aquele que foi eleito como a grande esperança do surgimento de um novo modelo de poder.
Itamar, com seu jeito, tradicionalmente, mineiro fez a transição com habilidade e equilíbrio indispensáveis ao delicado momento que vivia as instituições democráticas da "nova nação" que surgia cambaleante, com a constituição de 1988. Os avanços econômicos iniciados por Collor foram continuados e o então jovem político cearense Ciro Gomes teve papel preponderante neste setor. Substituido pelo sociólogo paulista Fernando Henrique Cardoso, deu-se início à construção do mais audacioso projeto político-econômico já vivido no País. Criou-se o Plano Real, dando início a uma sonhado período de estabilidade econômica, encerrando uma era de inflação e descontrole de preços que atormentava a vida dos brasileiros no dia a dia e comprometia o desenvolvimento da maior "potência" do hemisfério Sul.
Eleito presidente em 1994 FHC cuidou de manter e garantir o amadurecimento da estabilidade econômica.
A Lei de Responsabilidade Fiscal também foi um marco e uma grande conquista da sociedade em seu governo.
Mas nada é perfeito!
Com sede de poder o grupo ligado ao presidente articula uma nefasta manobra política para garantir o prolongamento do mandato presidencial e utilizando métodos nada republicanos, consegue êxito e aprova o projeto da reeleição para cargos executivos, possibilitando a disputa por mais um mandato para aqueles que estavam ocupando o poder. Um grande erro. Uma aberração para a consolidação da jovem democracia brasileira. As alianças e conchavos espúrios deram lugar aos interesses nacionais.
Tinham todas as condições para fazer uma grande e verdadeira reforma política, mas sucumbiram à soberba dos que se julgam poderosos e acima dos normais.O ex-ministro das Comunicações Sérgio Mota, eminência parda do governo, é o grande articulador desse desastre político do governo tucano.
O segundo mandato foi uma lástima e o "é dando que se recebe" prevaleceu e comprometeu a saúde econômica do País. Um projeto econômico sério se alimenta de um cardápio que não pode dispensar a austeridade e o ajuste das contas públicas, regado de políticas de estado consistentes, que sejam vacinadas contra soluções de continuidade, numa eventual e salutar alternância de poder.
Insatisfeitos, os brasileiros não perdem a esperança e elegem o primeiro operário para a presidência da República. mais um marco na nossa jovem democracia.
Pisando em bases econômicas relativamente firmes, apesar dos contratempos causados pela crise financeira internacional que afetou o mercado brasileiro a partir de 1998, Lula da Silva, aproveita alguns avanços sociais do governo do seu antecessor e avança na ampliação da distribuição de renda, com uma visão populista excessiva.
De origem stalinista, ele e seu grupo parte para o aparelhamento do Estado e despreza o aprimoramento técnico da máquina pública, que deve sempre buscar a eficiência e austeridade com o objetivo comum de servir a toda a sociedade e não a grupos. O caudilho Lula começa a saborear a fruta do pecado, como sobremesa da Santa Ceia. Sem saber estava escrevendo o seu roteiro de via crucis.
Sobre o manto de um marketing político competente e torrando os cofres abarrotados pelas conquistas econômicas do Plano Real, Lula faz concessões fiscais irresponsáveis com o único objetivo de prosperar politicamente diante da massa iludida por conquistas fáceis. O incentivo ao consumo assume a locomotiva da política econômica em detrimento dos investimentos em infra-estrutura. Um erro proposital e criminoso para o futura do País.
A insaciável sede de poder dos stalinistas no poder faz crescer, ainda mais, o "é dando que se recebe"e o governo Lula promove o maior escândalo de corrupção da história recente do País. Denominado Mensalão e articulado por seu fiel escudeiro, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, patrocinou propinas e desvios milionários de dinheiro público para cooptar aliados no Congresso Nacional.
Com mais medidas populista e a ausência de uma oposição forte, Lula da a volta por cima e se mantém muito popular entre as camadas mais baixas da população e força suficiente para pleitear a sua reeleição em 2006.
Reeleito para mais quatro anos de governo Lula acredita que a fonte do dinheiro público fácil é inesgotável e que sua politica de migalhas de pão e circo para o povo lhe garantiria a perpetuação no poder. Chegou até a pensar em alterar a constituição para lhe permitir reeleições consecutivas e ininterruptas.
Elegeu Dilma Rouself, considerada por muitos como "um poste" pela falta de experiências políticas e por ser uma candidata escolhida e imposta pelo "chefe" e não num processo de sucessão que caracterizasse uma escolha partidária.
Diante dos desmando e erros do seu governo, eleger Dilma em 2010 era uma questão de vida ou morte para os petistas.
A disputa não foi fácil, mas a falta de uma candidato de oposição com um programa de governo e um discurso novo, que oferecesse uma alternativa clara para a população, a vitoria lulista era vista à distância. Não fosse o inesperado sucesso eleitoral da candidata Verde Marina Silva - que consegui a soma de mais de 20 milhões de votos - teria vencido com uma vantagem esmagadora.
Dilma continua com a receita do seu criador. Amarrada em conchavos e acordos políticos espúrios o governo Dilma e, frequentemente, sacudido por escândalos de corrupção e seus projetos não conseguem sair do papel sem os descaminhos das verbas públicas. A saúde, a educação e a segurança pública se deterioram.
Mais medidas populistas de concessões fiscais para estimular o consumo, colocam de lado investimentos estruturais para prestigiar e proteger a imagem fantasiosa de aprovação dos governos petistas.
"Nada dura sempre, nem ninguém engano todo mundo o tempo todo"diz o ditado popular.
A onda de protestos que varre o País que começou contra o reajuste das passagens de ônibus em São Paulo , foi o estopim para estourar a bolha de insatisfação que se inflava no País desde meados do governo de FHC, com o avanço da corrupção sobre a coisa pública, que agora avançando no governo Lula, chega ao estágio atual quando se mostra como "falência múltipla dos órgãos".
No mais lúcido artigo sobre a interpretação do atual momento em que vive a sociedade brasileira, a jornalista Miriam Leitão, mostra com fatos e dados as conseqüências dos erros cometidos pelos petistas nos últimos 10 anos de poder e que explicam, em parte, os por quês da crise em que hoje vivemos. Vejam e entendam o por quê do marketing político ser capar de eleger até "um poste" para cargos públicos, mas não ser capaz de evitar "curtos circuitos provocados por gatos em instalações elétricas" :
Governo abriu mão de 22 bi destinados à infraestrutura de transporte
Por Mirian Leitão
Se ficarmos só no gatilho que levou o povo às ruas, há motivo de sobra para a insatisfação: O colapso da mobilidade urbana estressa diariamente as pessoas. Encurralou-se o direito de ir e vir. De 2008 até agora, o governo federal deixou de arrecadar, de quem abastece os carros com gasolina, R$ 22 bilhões. O destino desse dinheiro seria investimento em infraestrutura de transporte.
Os motivos são muitos, o desconforto é difuso, mas esta é a hora de pensar em todos os recados da rua. O transporte público é caro, e o serviço prestado pelos ônibus, péssimo. Isso vem de muito tempo. Mas piorou. O governo estimulou de forma exorbitante o uso do carro particular, o que ajudou a entupir as ruas. Abriu mão de recursos que, se bem usados, beneficiariam a todos.
Não há um culpado só. É impossível separar a violência da Polícia de São Paulo da escalada das manifestações. As cenas que chocaram o Brasil e o mundo da última quinta-feira foram gasolina em fogo já aceso. O governo de Geraldo Alckmin foi inepto ao lidar com a crise.
A crise da mobilidade urbana foi sendo aprofundada aos poucos. No Brasil, o transporte público foi sempre negligenciado, mas o governo federal escolheu um caminho insensato, que apertou o nó que sufoca os transeuntes das cidades brasileiras.
Foi eliminada a Cide e reduzido o IPI, para beneficiar o automóvel. Desta forma, foi incentivada a compra do carro particular e subsidiado o seu combustível. Duas das funções da Cide, de acordo com a lei de 2001 que a criou, eram investir em infraestrutura do transporte e atenuar os efeitos da poluição dos combustíveis. O imposto começou a ser reduzido em janeiro de 2008 e foi zerado em meados do ano passado. Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), nesse tempo, o governo deixou de recolher, só com a gasolina, R$ 22 bilhões.
Não está nessa conta o que deixou de ser arrecadado com as reduções do IPI que estimularam a compra de carro particular. O subsídio à gasolina, através do congelamento do preço por muito tempo, causou prejuízo à Petrobras, déficit na balança comercial e desorganização da cadeia produtiva do etanol. Com mais carros na rua e investimentos insuficientes na infraestrutura, a mobilidade urbana, que já era ruim, entrou em colapso.
A compra do carro foi incentivada para o país crescer e isso não ocorreu. O preço da gasolina foi subsidiado para conter a inflação, e ela subiu. O reajuste do ônibus foi adiado para administrar os preços e aconteceu justamente neste junho em que a inflação está de novo estourando o teto.
Outro problema ronda a economia: o dólar. Ele também já começa a afetar os preços. Ontem, a entrevista do presidente do Fed, Ben Bernanke, dando o sinal de que os estímulos à economia serão reduzidos, no futuro, provocou imediata alta da moeda americana, e ela chegou a bater R$ 2,22. Fechou em R$ 2,21. É mais um complicador.
A presidente Dilma Rousseff tem estado em reuniões com a presença de seu marqueteiro, João Santana, e feito pronunciamentos com a sua supervisão. Parece mais preocupada com o efeito que a crise das ruas terá em suas chances eleitorais do que em entender e corrigir os erros que levaram à eclosão dos protestos.
Governantes de outros partidos e de outros níveis de governos desdizem de tarde o que disseram de manhã. O prefeito Fernando Haddad, ontem de manhã, garantiu que não reduziria a passagem de ônibus para, no fim da tarde, anunciar junto com o governador Geraldo Alckmin o recuo dos reajustes de ônibus e metrô. No Rio, Cabral não esteve ao lado do prefeito Eduardo Paes. A crise não é apenas econômica, mas a economia tem dado motivos de sobra para a insatisfação.

Assinar:
Postagens (Atom)