domingo, 23 de junho de 2013

O Marketing Político pode até eleger um poste...


O Marketing Político pode até eleger um poste, para cargos públicos, mas não é capaz de evitar "curtos circuitos provocados...

por José Américo (Notas) em Domingo, 23 de Junho de 2013 às 09:56
Os protestos que não cessam e inundam todo o País podem surpreender a muitos, mas foram causados por sucessivos erros de governança e prepotência política de stalinistas desacostumados com o contraditório do debate e evolução, necessários, à  nossa jovem democracia.

Queiram ou não o jovem e promissor Brasil de hoje nasceu com a primeira eleição direta no pós ditadura, em 1989. Collor entre erros e acertos, provocou o início da abertura econômica tão necessária ao desenvolvimento moderno do nosso País.

A prepotência política e a corrupção destituíram aquele que foi eleito como a grande esperança do surgimento de um novo modelo de poder. 

Itamar, com seu jeito, tradicionalmente, mineiro fez a transição com habilidade e equilíbrio indispensáveis ao delicado momento que vivia as instituições democráticas da "nova nação" que surgia cambaleante,  com a constituição de 1988. Os avanços econômicos iniciados por Collor foram continuados e o então jovem político cearense Ciro Gomes teve papel preponderante neste setor. Substituido pelo sociólogo paulista Fernando Henrique Cardoso, deu-se início à construção do mais audacioso projeto político-econômico já vivido no País. Criou-se o Plano Real, dando início a uma sonhado período de estabilidade econômica, encerrando uma era de inflação e descontrole de preços que atormentava a vida dos brasileiros no dia a dia e comprometia o desenvolvimento da maior "potência" do hemisfério Sul.

Eleito presidente em 1994 FHC cuidou de manter e garantir o amadurecimento da estabilidade econômica. 
A Lei de Responsabilidade Fiscal também foi um marco e uma grande conquista da sociedade em seu governo.

Mas nada é perfeito!

Com sede de poder o grupo ligado ao presidente articula uma nefasta manobra política para garantir o prolongamento do mandato presidencial e utilizando métodos nada republicanos, consegue êxito e aprova o projeto da reeleição para cargos executivos, possibilitando a disputa por mais um mandato para aqueles que estavam ocupando o poder. Um grande erro. Uma aberração para a consolidação da jovem democracia brasileira. As alianças e conchavos espúrios deram lugar aos interesses nacionais. 

Tinham todas as condições para fazer uma grande e verdadeira reforma política, mas sucumbiram à soberba dos que se julgam poderosos e acima dos normais.O ex-ministro das Comunicações Sérgio Mota, eminência parda do governo, é o grande articulador desse desastre político do governo tucano.

O segundo mandato foi uma lástima e o "é dando que se recebe" prevaleceu e comprometeu a saúde econômica do País. Um projeto econômico sério se alimenta de um cardápio que não pode dispensar a austeridade e o ajuste das contas públicas, regado de políticas de estado consistentes, que sejam vacinadas contra soluções de continuidade, numa eventual e salutar alternância de poder.

Insatisfeitos, os brasileiros não perdem a esperança e elegem o primeiro operário para a presidência da República. mais um marco na nossa jovem democracia.

Pisando em bases econômicas relativamente firmes, apesar dos contratempos causados pela crise financeira internacional que afetou o mercado brasileiro a partir de 1998, Lula da Silva, aproveita alguns avanços sociais do governo do seu antecessor e avança na ampliação da distribuição de renda, com uma visão populista excessiva.

De origem stalinista, ele e seu grupo parte para o aparelhamento do Estado e despreza o aprimoramento técnico da máquina pública, que deve sempre buscar a eficiência e austeridade com o objetivo comum de servir a toda a sociedade e não a grupos. O caudilho Lula começa a saborear a fruta do pecado, como sobremesa da Santa Ceia. Sem saber estava escrevendo o seu roteiro de via crucis.

Sobre o manto de um marketing político competente e torrando os cofres abarrotados pelas conquistas econômicas do Plano Real, Lula faz concessões fiscais irresponsáveis com o único objetivo de prosperar politicamente diante da massa iludida por conquistas fáceis. O incentivo ao consumo assume a locomotiva da política econômica em detrimento dos investimentos em infra-estrutura. Um erro proposital e criminoso para o futura do País. 

A insaciável sede de poder dos stalinistas no poder faz crescer, ainda mais, o "é dando que se recebe"e o governo Lula promove o maior escândalo de corrupção da história recente do País. Denominado Mensalão e articulado por seu fiel escudeiro, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, patrocinou propinas e desvios milionários de dinheiro público para cooptar aliados no Congresso Nacional.

Com mais medidas populista e a ausência de uma oposição forte, Lula da a volta por cima e se mantém muito popular entre as camadas mais baixas da população e força suficiente para pleitear a sua reeleição em 2006.

Reeleito para mais quatro anos de governo Lula acredita que a fonte do dinheiro público fácil é inesgotável e que sua politica de migalhas de pão e circo para o povo lhe garantiria a perpetuação no poder. Chegou até a pensar em alterar a constituição para lhe permitir reeleições consecutivas e ininterruptas. 

Elegeu Dilma Rouself, considerada por muitos como "um poste" pela falta de experiências políticas e por ser uma candidata escolhida e imposta pelo "chefe" e não num processo de sucessão que caracterizasse uma escolha partidária.

Diante dos desmando e erros do seu governo, eleger Dilma em 2010 era uma questão de vida ou morte para os petistas.

A disputa não foi fácil, mas a falta de uma candidato de oposição com um programa de governo e um discurso novo,  que oferecesse uma alternativa clara para a população, a vitoria lulista era vista à distância. Não fosse o inesperado sucesso eleitoral da candidata Verde Marina Silva - que consegui a soma de mais de 20 milhões de votos - teria vencido com uma vantagem esmagadora.

Dilma continua com a receita do seu criador. Amarrada em conchavos e acordos políticos espúrios o governo Dilma e, frequentemente, sacudido por escândalos de corrupção e seus projetos não conseguem sair do papel sem os descaminhos das verbas públicas. A saúde, a educação e a segurança pública se deterioram.

Mais medidas populistas de concessões fiscais para estimular o consumo, colocam de lado investimentos estruturais para prestigiar e proteger a imagem fantasiosa de aprovação dos governos petistas.

"Nada dura sempre, nem ninguém engano todo mundo o tempo todo"diz o ditado popular.

A onda de protestos que varre o País que começou contra o reajuste das passagens de ônibus em São Paulo , foi o estopim para estourar a bolha de insatisfação que se inflava no País desde  meados do governo de FHC, com o avanço da corrupção sobre a coisa pública, que agora avançando no governo Lula, chega ao estágio atual quando se mostra como "falência múltipla dos órgãos".

No mais lúcido artigo sobre a interpretação do atual momento em que vive a sociedade brasileira, a jornalista Miriam Leitão, mostra com fatos e dados as conseqüências dos erros cometidos pelos petistas nos últimos 10 anos de poder e que explicam, em parte, os por quês da crise em que hoje vivemos. Vejam e entendam o por quê do marketing político ser capar de eleger até  "um poste" para cargos públicos, mas não ser capaz de evitar "curtos circuitos provocados por gatos em instalações elétricas" :

Governo abriu mão de 22 bi destinados à infraestrutura de transporte

Por Mirian Leitão

Se ficarmos só no gatilho que levou o povo às ruas, há motivo de sobra para a insatisfação: O colapso da mobilidade urbana estressa diariamente as pessoas. Encurralou-se o direito de ir e vir. De 2008 até agora, o governo federal deixou de arrecadar, de quem abastece os carros com gasolina, R$ 22 bilhões. O destino desse dinheiro seria investimento em infraestrutura de transporte.
Os motivos são muitos, o desconforto é difuso, mas esta é a hora de pensar em todos os recados da rua. O transporte público é caro, e o serviço prestado pelos ônibus, péssimo. Isso vem de muito tempo. Mas piorou. O governo estimulou de forma exorbitante o uso do carro particular, o que ajudou a entupir as ruas. Abriu mão de recursos que, se bem usados, beneficiariam a todos.
Não há um culpado só. É impossível separar a violência da Polícia de São Paulo da escalada das manifestações. As cenas que chocaram o Brasil e o mundo da última quinta-feira foram gasolina em fogo já aceso. O governo de Geraldo Alckmin foi inepto ao lidar com a crise.
A crise da mobilidade urbana foi sendo aprofundada aos poucos. No Brasil, o transporte público foi sempre negligenciado, mas o governo federal escolheu um caminho insensato, que apertou o nó que sufoca os transeuntes das cidades brasileiras.
Foi eliminada a Cide e reduzido o IPI, para beneficiar o automóvel. Desta forma, foi incentivada a compra do carro particular e subsidiado o seu combustível. Duas das funções da Cide, de acordo com a lei de 2001 que a criou, eram investir em infraestrutura do transporte e atenuar os efeitos da poluição dos combustíveis. O imposto começou a ser reduzido em janeiro de 2008 e foi zerado em meados do ano passado. Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), nesse tempo, o governo deixou de recolher, só com a gasolina, R$ 22 bilhões.
Não está nessa conta o que deixou de ser arrecadado com as reduções do IPI que estimularam a compra de carro particular. O subsídio à gasolina, através do congelamento do preço por muito tempo, causou prejuízo à Petrobras, déficit na balança comercial e desorganização da cadeia produtiva do etanol. Com mais carros na rua e investimentos insuficientes na infraestrutura, a mobilidade urbana, que já era ruim, entrou em colapso.
A compra do carro foi incentivada para o país crescer e isso não ocorreu. O preço da gasolina foi subsidiado para conter a inflação, e ela subiu. O reajuste do ônibus foi adiado para administrar os preços e aconteceu justamente neste junho em que a inflação está de novo estourando o teto.
Outro problema ronda a economia: o dólar. Ele também já começa a afetar os preços. Ontem, a entrevista do presidente do Fed, Ben Bernanke, dando o sinal de que os estímulos à economia serão reduzidos, no futuro, provocou imediata alta da moeda americana, e ela chegou a bater R$ 2,22. Fechou em R$ 2,21. É mais um complicador.
A presidente Dilma Rousseff tem estado em reuniões com a presença de seu marqueteiro, João Santana, e feito pronunciamentos com a sua supervisão. Parece mais preocupada com o efeito que a crise das ruas terá em suas chances eleitorais do que em entender e corrigir os erros que levaram à eclosão dos protestos.
Governantes de outros partidos e de outros níveis de governos desdizem de tarde o que disseram de manhã. O prefeito Fernando Haddad, ontem de manhã, garantiu que não reduziria a passagem de ônibus para, no fim da tarde, anunciar junto com o governador Geraldo Alckmin o recuo dos reajustes de ônibus e metrô. No Rio, Cabral não esteve ao lado do prefeito Eduardo Paes. A crise não é apenas econômica, mas a economia tem dado motivos de sobra para a insatisfação.





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segunda-feira, 20 de maio de 2013

"É possível fazer mais e bem feito" diz Eduardo Campos PSB




Estrelando nas novas inserções de TV do PSB, partido do qual é o presdidente e pelo qual, possivelmente, disputará a presidencia da República em 2014, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, aumenta o tom de críticas ao governo petista e afirma que "é possível fazer mais e bem feito". A nova campanha de TV do partido estreia nesta segunda feira com as inserções regionais do Estado de Goiás. O novo slogam do partido critica o jeito petista de governar e suas obras mal feitas e muitas inacabadas e superfaturadas.





FT diz que sensação de bem-estar no Brasil é ‘fachada’ e critica estilo ‘mandão’ de Dilma


20 de maio de 2013 | 8h19
Agência Estado
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Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado
LONDRES – O Brasil precisa correr para aproveitar o capital internacional existente, que atualmente é barato e abundante, para aumentar o investimento na economia. A sugestão é do jornal “Financial Times”. Em editorial publicado nesta segunda-feira, a publicação diz que a sensação de que tudo corre bem no Brasil é apenas uma “fachada” e diz que o estilo “mandão” de Dilma Rousseff é bom para evitar a corrupção, mas estaria atrasando a economia, especialmente o investimento. O texto critica ainda a escolha do governo: em vez de reformas amplas, apoia setores “mimados”, como as montadoras.
O editorial diz que o Brasil “corre o risco, mais uma vez, de frustrar imensas expectativas”. “A aparente sensação de bem-estar do Brasil é uma fachada. O crescimento da economia no ano passado foi de menos de 1%, pouco melhor que a zona do euro. Este ano, o Brasil está crescendo menos que o Japão. A inflação está corroendo a confiança do consumidor e há uma sensação de mal-estar. A causa é o abrandamento do investimento, tendência que começou em meados de 2011 e continua. Mais investimento é exatamente o que o Brasil precisa para manter os empregos e tornar-se a potência global a que aspira ser.”
O texto lembra que o investimento brasileiro equivale a 18% do Produto Interno Bruto (PIB), bem menos que os 24% destinados pelos vizinhos latino-americanos e os quase 30% dos países da Ásia. A culpa, diz o FT, é dos governantes e o problema não vem de hoje. “Brasília deve ter grande parte dessa culpa. A extravagância do modelo econômico impulsionado pelo consumo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esgotou. O modelo Dilma, apesar dos primeiros sinais promissores, está provando (apenas) ser um pouco melhor”, diz o texto.
“O estilo ‘mandão’ dela não é adequado para a persuasão colaborativa exigida pelo tipo particular de política de coalizão do Brasil. A tomada de decisão tem sido centralizada, o que evita a corrupção, mas retarda o processo. Dilma também tem evitado consistentemente as reformas orientadas para o mercado em favor do protecionismo de alguns setores preferidos e seus lobbies, como as mimadas montadoras”, critica o texto.
Para o FT, outro exemplo dessa falta de foco do governo brasileiro está na infraestrutura. “O Brasil quer captar bilhões de dólares para a construção de novos portos, aeroportos, viadutos e estradas. Existe o interesse e o compromisso firme dos investidores. No entanto, surpreendentemente, o marco regulatório em vigor não é apropriado para permitir a construção dessa nova infraestrutura. O dinheiro está sendo deixado sobre a mesa desnecessariamente”, diz o texto.
“O Brasil precisa desesperadamente de mais investimento. O baixo nível da poupança interna significa que grande parte desse financiamento deve vir do exterior. O capital está barato no momento, mas não será para sempre. O Brasil tem uma grande janela de oportunidade. Dilma Rousseff e seu governo precisam fazer as coisas acontecerem enquanto essa janela segue aberta”, diz o editorial.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Na TV, Campos critica Dilma e diz que é hora de avançar



Fernando Rodrigues

Governador de Pernambuco pretende ser candidato a presidente da República em 2014.
Na propaganda de seu partido, o PSB, ele diz que contraria os “interesses da velha política”.
O programa partidário do PSB neste semestre é a aposta mais alta do partido para fazer deslanchar a pré-candidatura a presidente do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Ele é a estrela principal da propaganda de 10 minutos de duração à qual o Blog teve acesso. O filme vai ao ar em rede nacional de TV a partir das 20h30 de hoje (25.abr.2013). O vídeo está publicado neste post.
O programa do PSB  reforça o discurso de Eduardo Campos nos últimos meses. Há no filme várias críticas ao governo de Dilma Rousseff, mesmo sem citar o nome da petista.
Campos aparece sempre em supercloses –uma mensagem subliminar para enfatizar a juventude do político pernambucano, que tem hoje 47 anos. Em três trechos do filme, o foco fica apenas nos olhos claros do pré-candidato.
Eis uma das falas de Campos: “Avançamos [no Brasil], mas deixamos de fazer mudanças fundamentais. Temos um Estado antigo, quer seja na esfera municipal, estadual ou federal. Ainda traz as marcas do atraso e do elitismo (…) Ou avançamos agora, ou corremos o risco de regredir nas conquistas do nosso povo. Temos que ter a humildade de admitir e a coragem de enfrentar os problemas que estão aí, batendo à nossa porta. O Brasil precisa dar um passo adiante. E nós do PSB vamos dar esse passo junto com o Brasil.”
O governador é popular em seu Estado, Pernambuco, e entre os políticos de todos os partidos. Mas é ainda pouco conhecido do grande eleitorado do Sul e do Sudeste. Na última pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial, Eduardo Campos apareceu como preferido de 6% do eleitorado. Dilma teve 58%; Marina Silva, que tenta fundar um novo partido chamado “Rede”, ficou com 16%; Aécio Neves (PSDB), com 10%.
O filme do PSB faz uma opção pela politização do discurso. Começa com um texto e imagens em preto e branco falando da redemocratização. São citados políticos de todos os partidos.
Esse tipo de discurso é correto do ponto de vista histórico, pois dá crédito a todos que ajudaram a construir a atual democracia brasileira. Mas marqueteiros em geral fogem desse assunto como o diabo da cruz –sob o argumento de que a maioria do eleitorado rejeita esse tipo de abordagem.
Em certa medida, portanto, o filme do PSB para promover Eduardo Campos contém uma dose razoável de risco. Não há como saber como será a reação dos telespectadores-eleitores.
Em um dos trechos do programa, por exemplo, Eduardo Campos relata que é herdeiro da “esquerda democrática” de seu avô, Miguel Arraes, e que é fiel a seus aliados, mas que faz críticas quando necessário. A mensagem implícita: o PSB participa do governo do PT, mas quer mudanças.
“Somos um partido [o PSB] que defende as suas alianças, mas seremos sempre um aliado participante, propositivo, crítico quando a crítica é necessária. Mudanças fundamentais continuam sendo adiadas hoje como sempre foram no passado. A reforma fiscal, a revisão do pacto federativo, a reforma politica. Para avançar não temos outra escolha. É preciso contrariar os interesses da velha politica, que está instalada na maquina pública. Cargo público tem que ser ocupado por quem tem capacidade, mérito, sobretudo espirito de liderança. E não por um incompetente que é nomeado só porque tem um padrinho político forte.”
Também aparece no vídeo o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, do Rio Grande do Sul. Ele exalta feitos dos governos do PSB no Ceará, em Belo Horizonte e em Pernambuco.
A fala de Beto Albuquerque tem um endereço óbvio. Ao afagar a administração do PSB no Ceará sua intenção é agradar ao governador daquele Estado, Cid Gomes, que tem dado a entender que prefere apoiar a reeleição de Dilma Rousseff em 2014.
No caso do prefeito de BH, Márcio Lacerda, a tendência mais natural é que se desgarre do PSB e dê apoio ao tucano Aécio Neves na corrida pelo Planalto.
O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, que pretende disputar a eleição para governador do Distrito Federal, também aparece, mas por pouco tempo. Ele fala sobre o apoio que o PSB deu no Congresso à aprovação da PEC das Domésticas, que estendeu benefícios da CLT à categoria.

Abaixo, o vídeo do PSB. 

http://mais.uol.com.br/view/14419685

terça-feira, 23 de abril de 2013

Merval Pereira: ‘A advertência de Barbosa’


23/04/2013
 às 17:53 \ Direto ao Ponto


Trecho: “O mundo está de olho no Brasil”, adverte o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, dizendo que esse nosso jeito de “não fazer as coisas fingindo que está fazendo” põe em risco nossa credibilidade como país.Barbosa, que está nos Estados Unidos para uma palestra na Universidade de Princeton e uma homenagem da revista “Time”, que o colocou como uma das cem pessoas mais influentes do mundo, está se referindo ao julgamento do mensalão, que, divulgado o acórdão, será retomado dentro de dez dias com os embargos da defesa.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ministério Público abre 6 investigações sobre depoimento de Marcos Valério que envolve Lula no Mensalão


Mensalao


Procuradores decidiram analisar conteúdo das acusações feitas pelo empresário segundo as quais Lula teria se beneficiado do esquema

02 de abril de 2013 | 0h 50
Alana Rizzo e Felipe Recondo - O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu seis procedimentos para investigar as acusações feitas pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no depoimento prestado em 24 de setembro de 2012. Condenado pelo Supremo como o operador do mensalão, ele acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter se beneficiado pessoalmente do esquema. O petista classificou o depoimento, prestado sigilosamente à Procuradoria-Geral, como mentiroso.
Após análise do depoimento, que durou cerca de duas semanas, os procuradores da República em Brasília concluíram pela existência de oito fatos tipificados, em tese, como crimes que exigem mais apuração.
Dois já estão em investigação em outros inquéritos instaurados no âmbito do Ministério Público Federal. Os novos seis procedimentos preliminares foram distribuídos para procuradores diferentes, todos com atuação na área criminal. Quem ficar responsável pelo caso poderá pedir a abertura de inquérito a fim de produzir novas provas ou poderá optar por arquivar as acusações, caso não veja indícios suficientes para oferecer uma denúncia.
Foco. No depoimento prestado em 24 de setembro do ano passado, cuja íntegra de 13 páginas foi obtida pelo Estado, Marcos Valério coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro das acusações do mensalão.
O empresário afirma que o petista, que não tem mais foro privilegiado, deu "ok" para os empréstimos bancários que viriam a irrigar os pagamentos de deputados da base aliada e campanhas políticas de aliados ao governo.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esperou o fim do julgamento do mensalão para despachar o depoimento. Ele temia que o depoimento fosse apenas uma manobra do empresário para atrapalhar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão.
Inicialmente, o depoimento foi remetido para análise do Ministério Público Federal em Minas Gerais. Em 11 de março, o procurador da República em Minas Gerais Leonardo Augusto Santos Melo, que havia recebido o depoimento em fevereiro, disse que alguns fatos narrados por Valério já estavam em apuração em Minas e encaminhou o depoimento para Brasília por entender que parte das acusações não teria relação com os fatos em investigação no Estado.
O procurador mineiro alegou conflito de interesse no caso, ao contrário dos procuradores de Brasília, que decidiram abrir uma investigação preliminar.
A Procuradoria da República em Minas já investiga os repasses feitos por Valério à empresa do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. O operador do mensalão afirmou ter depositado um cheque de R$ 100 mil na conta da Caso Sistema de Segurança, uma empresa do setor de segurança privada.
Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo bancário quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98.500.
Em busca de benefícios. Em meio ao julgamento do mensalão, Valério foi voluntariamente à Procuradoria-Geral da República no dia 24 de setembro na tentativa de obter algum benefício em troca de novas informações sobre o caso. Em mais de três horas de depoimento, disse que o esquema do mensalão ajudou a bancar "despesas pessoais" do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No relato feito ao Ministério Público, Valério afirmou que no início de 2003 se reuniu com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o tesoureiro do PT à época, Delúbio Soares, no segundo andar do Palácio do Planalto, numa sala que ele descreveu como "ampla" que servia para "reuniões" e, às vezes, "para refeições". Lula então, segundo Valério, teria dado seu consentimento à operação que estava prestes a ser montada.
Ele contou ainda ter sido ameaçado de morte pelo PT caso decidisse contar o que sabia do esquema. Marcos Valério entregou cópia de alguns documentos para reforçar suas acusações à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e para a procuradora da República Raquel Branquinho.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Aprovação a Dilma mostra que o Brasil "encherga" bem



Guilherme Fiúza, ÉPOCA
Há uma grita injustificada no caso das provas semianalfabetas do Enem. Não dá para entender tanta indignação. Há anos o governo popular vem preparando o Brasil para a grande revolução educacional, pela qual a norma culta se norteará pelo português falado nas assembleias do PT.
Como se sabe, depois de uma blitz progressista da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, livros didáticos passaram a ensinar que é certo escrever "nós pega o peixe", entre outras formulações revolucionárias. Alguns especialistas teriam argumentado que o certo seria "nós rouba o peixe", mas isso já é discussão interna deles.
Numa das redações que levaram nota máxima no Enem, o candidato escreveu "enchergar" - com "ch" em vez de "x". Não há reparo a fazer, está perfeito o critério. Depois de três anos deixando o Enem à mercê dos picaretas, pois estava muito ocupado com sua agenda eleitoreira, Haddad elegeu-se prefeito.
Um fenômeno desses jamais aconteceria num país que enxerga - só num país que "encherga". Está corretíssima, portanto, a observação por parte do estudante da nova norma culta.
Os que veem algum erro nisso não sabem acompanhar as velozes mudanças da língua, comandadas pela nova elite. O relato de Dilma Rousseff sobre seu encontro com o papa Francisco também mereceria nota máxima no Enem. Contou a presidente: "Ele estava me "dizeno" que espera uma presença grande dos jovens (na Jornada da Juventude), na medida em que ele é o primeiro papa, ele é várias coisas primeiro". Os corretores progressistas do Enem só dariam nota 1.000 a uma construção dessas porque não existe 1.001.
O novo recorde de aprovação que acaba de ser batido pelo governo e pela "presidenta" só comporta duas explicações possíveis: ou o Brasil está "enchergando" bem, ou o Brasil está "enchergano" bem. Qualquer das duas hipóteses, porém, garante imunidade total à "presidenta" (que também é várias coisas primeira). Ela pode passear de helicóptero sobre as enchentes de Petrópolis e depois pousar, como uma enviada do Vaticano, para rezar pelas vítimas.
Os desabrigados de dois anos atrás na mesma região continuam sem as casas prometidas pelo governo popular. Há famílias morando em estábulos. Alguns quilômetros serra abaixo, casas oferecidas pelo governo popular para removidos de áreas de risco foram inundadas pelas últimas chuvas. Moradias do programa Minha Casa Minha Vida oferecem como bônus minhas goteiras, minhas rachaduras na parede.
O povo deve estar "enchergano" tudo isso, porque acolhe o helicóptero de Dilma como um disco voador em missão turística e reza com ela na igreja local, pedindo proteção a não se sabe quem.
A aprovação popular ao estilo governamental de Dilma é comovente. Quem distribui as verbas federais contra enchentes é o ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho - aquele que mandava cerca de 80% do dinheiro para Pernambuco, por acaso seu domicílio eleitoral. As enxurradas podem levar casas e povoados inteiros, mas nada arranca Bezerra do cargo.
A cada nova intempérie, é ele quem surge para rechear os comícios chorosos de Dilma com cifras voadoras, que servem basicamente para drenar as manchetes. Ainda de Roma, a chefa suprema da nação declarara que tomará "medidas drásticas" para remover os teimosos que insistem em morar em áreas de risco. O Brasil merece isso tudo.
A população culta também está "enchergano" bem. Todos chocadíssimos, batendo panela contra o pastor acusado de homofobia - nomeado para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Quem manda na Câmara? Quem fica caçando votos dos evangélicos, distribuindo vantagens a seus líderes, como o famigerado Ministério da Pesca? "Nós pega o peixe e entrega ao pastor", reza a norma culta do governo popular. Quanto maior o rebanho, melhor a boquinha. Comissão de Direitos Humanos é troco.
Evidentemente, uma redação do Enem que enxergasse, com "x", que o Brasil e suas instituições estão emprenhados de ignorância pela indústria do populismo levaria nota zero. A revolução petista não tolera esses arroubos elitistas. Prefere receita de miojo.