quinta-feira, 25 de abril de 2013

Na TV, Campos critica Dilma e diz que é hora de avançar



Fernando Rodrigues

Governador de Pernambuco pretende ser candidato a presidente da República em 2014.
Na propaganda de seu partido, o PSB, ele diz que contraria os “interesses da velha política”.
O programa partidário do PSB neste semestre é a aposta mais alta do partido para fazer deslanchar a pré-candidatura a presidente do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Ele é a estrela principal da propaganda de 10 minutos de duração à qual o Blog teve acesso. O filme vai ao ar em rede nacional de TV a partir das 20h30 de hoje (25.abr.2013). O vídeo está publicado neste post.
O programa do PSB  reforça o discurso de Eduardo Campos nos últimos meses. Há no filme várias críticas ao governo de Dilma Rousseff, mesmo sem citar o nome da petista.
Campos aparece sempre em supercloses –uma mensagem subliminar para enfatizar a juventude do político pernambucano, que tem hoje 47 anos. Em três trechos do filme, o foco fica apenas nos olhos claros do pré-candidato.
Eis uma das falas de Campos: “Avançamos [no Brasil], mas deixamos de fazer mudanças fundamentais. Temos um Estado antigo, quer seja na esfera municipal, estadual ou federal. Ainda traz as marcas do atraso e do elitismo (…) Ou avançamos agora, ou corremos o risco de regredir nas conquistas do nosso povo. Temos que ter a humildade de admitir e a coragem de enfrentar os problemas que estão aí, batendo à nossa porta. O Brasil precisa dar um passo adiante. E nós do PSB vamos dar esse passo junto com o Brasil.”
O governador é popular em seu Estado, Pernambuco, e entre os políticos de todos os partidos. Mas é ainda pouco conhecido do grande eleitorado do Sul e do Sudeste. Na última pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial, Eduardo Campos apareceu como preferido de 6% do eleitorado. Dilma teve 58%; Marina Silva, que tenta fundar um novo partido chamado “Rede”, ficou com 16%; Aécio Neves (PSDB), com 10%.
O filme do PSB faz uma opção pela politização do discurso. Começa com um texto e imagens em preto e branco falando da redemocratização. São citados políticos de todos os partidos.
Esse tipo de discurso é correto do ponto de vista histórico, pois dá crédito a todos que ajudaram a construir a atual democracia brasileira. Mas marqueteiros em geral fogem desse assunto como o diabo da cruz –sob o argumento de que a maioria do eleitorado rejeita esse tipo de abordagem.
Em certa medida, portanto, o filme do PSB para promover Eduardo Campos contém uma dose razoável de risco. Não há como saber como será a reação dos telespectadores-eleitores.
Em um dos trechos do programa, por exemplo, Eduardo Campos relata que é herdeiro da “esquerda democrática” de seu avô, Miguel Arraes, e que é fiel a seus aliados, mas que faz críticas quando necessário. A mensagem implícita: o PSB participa do governo do PT, mas quer mudanças.
“Somos um partido [o PSB] que defende as suas alianças, mas seremos sempre um aliado participante, propositivo, crítico quando a crítica é necessária. Mudanças fundamentais continuam sendo adiadas hoje como sempre foram no passado. A reforma fiscal, a revisão do pacto federativo, a reforma politica. Para avançar não temos outra escolha. É preciso contrariar os interesses da velha politica, que está instalada na maquina pública. Cargo público tem que ser ocupado por quem tem capacidade, mérito, sobretudo espirito de liderança. E não por um incompetente que é nomeado só porque tem um padrinho político forte.”
Também aparece no vídeo o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, do Rio Grande do Sul. Ele exalta feitos dos governos do PSB no Ceará, em Belo Horizonte e em Pernambuco.
A fala de Beto Albuquerque tem um endereço óbvio. Ao afagar a administração do PSB no Ceará sua intenção é agradar ao governador daquele Estado, Cid Gomes, que tem dado a entender que prefere apoiar a reeleição de Dilma Rousseff em 2014.
No caso do prefeito de BH, Márcio Lacerda, a tendência mais natural é que se desgarre do PSB e dê apoio ao tucano Aécio Neves na corrida pelo Planalto.
O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, que pretende disputar a eleição para governador do Distrito Federal, também aparece, mas por pouco tempo. Ele fala sobre o apoio que o PSB deu no Congresso à aprovação da PEC das Domésticas, que estendeu benefícios da CLT à categoria.

Abaixo, o vídeo do PSB. 

http://mais.uol.com.br/view/14419685

terça-feira, 23 de abril de 2013

Merval Pereira: ‘A advertência de Barbosa’


23/04/2013
 às 17:53 \ Direto ao Ponto


Trecho: “O mundo está de olho no Brasil”, adverte o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, dizendo que esse nosso jeito de “não fazer as coisas fingindo que está fazendo” põe em risco nossa credibilidade como país.Barbosa, que está nos Estados Unidos para uma palestra na Universidade de Princeton e uma homenagem da revista “Time”, que o colocou como uma das cem pessoas mais influentes do mundo, está se referindo ao julgamento do mensalão, que, divulgado o acórdão, será retomado dentro de dez dias com os embargos da defesa.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ministério Público abre 6 investigações sobre depoimento de Marcos Valério que envolve Lula no Mensalão


Mensalao


Procuradores decidiram analisar conteúdo das acusações feitas pelo empresário segundo as quais Lula teria se beneficiado do esquema

02 de abril de 2013 | 0h 50
Alana Rizzo e Felipe Recondo - O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu seis procedimentos para investigar as acusações feitas pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no depoimento prestado em 24 de setembro de 2012. Condenado pelo Supremo como o operador do mensalão, ele acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter se beneficiado pessoalmente do esquema. O petista classificou o depoimento, prestado sigilosamente à Procuradoria-Geral, como mentiroso.
Após análise do depoimento, que durou cerca de duas semanas, os procuradores da República em Brasília concluíram pela existência de oito fatos tipificados, em tese, como crimes que exigem mais apuração.
Dois já estão em investigação em outros inquéritos instaurados no âmbito do Ministério Público Federal. Os novos seis procedimentos preliminares foram distribuídos para procuradores diferentes, todos com atuação na área criminal. Quem ficar responsável pelo caso poderá pedir a abertura de inquérito a fim de produzir novas provas ou poderá optar por arquivar as acusações, caso não veja indícios suficientes para oferecer uma denúncia.
Foco. No depoimento prestado em 24 de setembro do ano passado, cuja íntegra de 13 páginas foi obtida pelo Estado, Marcos Valério coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro das acusações do mensalão.
O empresário afirma que o petista, que não tem mais foro privilegiado, deu "ok" para os empréstimos bancários que viriam a irrigar os pagamentos de deputados da base aliada e campanhas políticas de aliados ao governo.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esperou o fim do julgamento do mensalão para despachar o depoimento. Ele temia que o depoimento fosse apenas uma manobra do empresário para atrapalhar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão.
Inicialmente, o depoimento foi remetido para análise do Ministério Público Federal em Minas Gerais. Em 11 de março, o procurador da República em Minas Gerais Leonardo Augusto Santos Melo, que havia recebido o depoimento em fevereiro, disse que alguns fatos narrados por Valério já estavam em apuração em Minas e encaminhou o depoimento para Brasília por entender que parte das acusações não teria relação com os fatos em investigação no Estado.
O procurador mineiro alegou conflito de interesse no caso, ao contrário dos procuradores de Brasília, que decidiram abrir uma investigação preliminar.
A Procuradoria da República em Minas já investiga os repasses feitos por Valério à empresa do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. O operador do mensalão afirmou ter depositado um cheque de R$ 100 mil na conta da Caso Sistema de Segurança, uma empresa do setor de segurança privada.
Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo bancário quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98.500.
Em busca de benefícios. Em meio ao julgamento do mensalão, Valério foi voluntariamente à Procuradoria-Geral da República no dia 24 de setembro na tentativa de obter algum benefício em troca de novas informações sobre o caso. Em mais de três horas de depoimento, disse que o esquema do mensalão ajudou a bancar "despesas pessoais" do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No relato feito ao Ministério Público, Valério afirmou que no início de 2003 se reuniu com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o tesoureiro do PT à época, Delúbio Soares, no segundo andar do Palácio do Planalto, numa sala que ele descreveu como "ampla" que servia para "reuniões" e, às vezes, "para refeições". Lula então, segundo Valério, teria dado seu consentimento à operação que estava prestes a ser montada.
Ele contou ainda ter sido ameaçado de morte pelo PT caso decidisse contar o que sabia do esquema. Marcos Valério entregou cópia de alguns documentos para reforçar suas acusações à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e para a procuradora da República Raquel Branquinho.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Aprovação a Dilma mostra que o Brasil "encherga" bem



Guilherme Fiúza, ÉPOCA
Há uma grita injustificada no caso das provas semianalfabetas do Enem. Não dá para entender tanta indignação. Há anos o governo popular vem preparando o Brasil para a grande revolução educacional, pela qual a norma culta se norteará pelo português falado nas assembleias do PT.
Como se sabe, depois de uma blitz progressista da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, livros didáticos passaram a ensinar que é certo escrever "nós pega o peixe", entre outras formulações revolucionárias. Alguns especialistas teriam argumentado que o certo seria "nós rouba o peixe", mas isso já é discussão interna deles.
Numa das redações que levaram nota máxima no Enem, o candidato escreveu "enchergar" - com "ch" em vez de "x". Não há reparo a fazer, está perfeito o critério. Depois de três anos deixando o Enem à mercê dos picaretas, pois estava muito ocupado com sua agenda eleitoreira, Haddad elegeu-se prefeito.
Um fenômeno desses jamais aconteceria num país que enxerga - só num país que "encherga". Está corretíssima, portanto, a observação por parte do estudante da nova norma culta.
Os que veem algum erro nisso não sabem acompanhar as velozes mudanças da língua, comandadas pela nova elite. O relato de Dilma Rousseff sobre seu encontro com o papa Francisco também mereceria nota máxima no Enem. Contou a presidente: "Ele estava me "dizeno" que espera uma presença grande dos jovens (na Jornada da Juventude), na medida em que ele é o primeiro papa, ele é várias coisas primeiro". Os corretores progressistas do Enem só dariam nota 1.000 a uma construção dessas porque não existe 1.001.
O novo recorde de aprovação que acaba de ser batido pelo governo e pela "presidenta" só comporta duas explicações possíveis: ou o Brasil está "enchergando" bem, ou o Brasil está "enchergano" bem. Qualquer das duas hipóteses, porém, garante imunidade total à "presidenta" (que também é várias coisas primeira). Ela pode passear de helicóptero sobre as enchentes de Petrópolis e depois pousar, como uma enviada do Vaticano, para rezar pelas vítimas.
Os desabrigados de dois anos atrás na mesma região continuam sem as casas prometidas pelo governo popular. Há famílias morando em estábulos. Alguns quilômetros serra abaixo, casas oferecidas pelo governo popular para removidos de áreas de risco foram inundadas pelas últimas chuvas. Moradias do programa Minha Casa Minha Vida oferecem como bônus minhas goteiras, minhas rachaduras na parede.
O povo deve estar "enchergano" tudo isso, porque acolhe o helicóptero de Dilma como um disco voador em missão turística e reza com ela na igreja local, pedindo proteção a não se sabe quem.
A aprovação popular ao estilo governamental de Dilma é comovente. Quem distribui as verbas federais contra enchentes é o ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho - aquele que mandava cerca de 80% do dinheiro para Pernambuco, por acaso seu domicílio eleitoral. As enxurradas podem levar casas e povoados inteiros, mas nada arranca Bezerra do cargo.
A cada nova intempérie, é ele quem surge para rechear os comícios chorosos de Dilma com cifras voadoras, que servem basicamente para drenar as manchetes. Ainda de Roma, a chefa suprema da nação declarara que tomará "medidas drásticas" para remover os teimosos que insistem em morar em áreas de risco. O Brasil merece isso tudo.
A população culta também está "enchergano" bem. Todos chocadíssimos, batendo panela contra o pastor acusado de homofobia - nomeado para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Quem manda na Câmara? Quem fica caçando votos dos evangélicos, distribuindo vantagens a seus líderes, como o famigerado Ministério da Pesca? "Nós pega o peixe e entrega ao pastor", reza a norma culta do governo popular. Quanto maior o rebanho, melhor a boquinha. Comissão de Direitos Humanos é troco.
Evidentemente, uma redação do Enem que enxergasse, com "x", que o Brasil e suas instituições estão emprenhados de ignorância pela indústria do populismo levaria nota zero. A revolução petista não tolera esses arroubos elitistas. Prefere receita de miojo.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dilma prometeu e não cumpriu





Há pouco mais de dois anos, Dilma esteve na zona serrana do Rio de Janeiro, consolando as vítimas da tragédia que agora se repete, e prometendo oito mil casas populares e 1 bilhão em investimentos para prevenção e recuperção dos danos urbanos e ambientais.



E ai presidente???

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dados das três ultimas eleições indicam que teto do PT é 47%


Diário de Pernambuco - 20/03/2013

Socialista e dois futuros oponentes: 2014 chegando
Presidente e dois prováveis oponentes: 2014 chegando
Ainda são raras as sondagens sobre intenção de votos para a corrida presidencial de 2014.
Por isso mesmo qualquer número que apareça tratando da popularidade da presidente Dilma Rousseff ganha realce e motiva reações eleitoreiras.
Possíveis concorrentes da presidente – pré-candidata à reeleição -, o governador Eduardo Campos (PSB) e o senador Aécio Neves (PSDB) se manifestaram.
Ambos tentaram minimizar os ótimos índices da petista, registrados na pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta terça-feira. Confira abaixo:
Aprovação de Dilma teve maior crescimento no Nordeste: 85%
O tucano afirmou que tudo é obra da publicidade oficial. Já o socialista disse não ver alteração em relação a pesquisas divulgadas anteriormente. E alertou para ninguém cantar vitória antes da hora.
Pois bem. Diante do “tô nem aí” que os dados da CNI provocaram, vale recordar o que César Maia (DEM), ex-governador do Rio de Janeiro, publicou em fevereiro no seu blog sobre pesquisas e corrida presidencial.
Num post intulado “Curiosidades das eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010! E lições para 2014!”, conclui que o PT tem como teto pouco mais de 40% dos votos, o que deixa margem para a ocorrência de segundo turno.
O teto vai ser o mesmo em 2014? É a grande pergunta que se faz e é para isso que Eduardo tanto trabalha: quer provocar o segundo turno e, para isso, precisa que Aécio e a ex-senadora Marina Silva se firmem no jogo sucessório.
As observações de César Maia indicam que as previsões das pesquisas sempre apontaram um petista na frente, mas invariavelmente indicando o segundo turno, o que acabou ocorendo nos três pleitos.
Eleição de 2002
A pesquisa mais antiga disponível no site do Datafolha, de dezembro de 2001, dava a Serra 11% das intenções de voto e a Lula 43%.
Na eleição, Lula teve 46,4% dos votos totais e Serra 23,1%. Garotinho entrou como tercius com 17,8%.
Eleição de 2006
Na pesquisa do Datafolha de dezembro de 2004, Lula tinha 44% e Alckmin 13% das intenções de voto.
Na eleição, Lula obteve 48,6% dos votos totais e Alckmin 41,6%%.  Não houve tercius. Heloisa Helena obteve 6,8%.
Eleição de 2010
Dilma mal aparecia nas pesquisas de 2009, pois estava sendo apresentada por Lula, pelo Brasil afora.
Na eleição, Dilma obteve 46,9% dos votos totais e Serra 32,6%. Houve tercius: Marina com 19,3%.
Conclusões
Coincidentemente, nas 3 eleições os petistas obtiveram no primeiro turno, em média, 47% dos votos totais. Coincidência? Ou teto para 2014?
Serra e Alckmin partiram de um patamar no entorno superior a 10%, e entraram no vácuo. Serra dobrou as intenções de voto e Alckmin triplicou.
Na eleição de 2006, com um candidato à esquerda, não houve tercius. Nas eleições de 2002 e 2010, quando o tercius foi  evangélico, tanto Garotinho quanto Marina ficaram no mesmo patamar: 17% e 19% sugerindo que é o voto conservador-cristão que ocupa um espaço significativo na eleição presidencial e não o voto de esquerda/ambiental/costumes.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Frenesi do abaixo-assinado pela internet desafia a classe política


Petições atraíram mais de 3 milhões de brasileiros no último ano; organizações internacionais voltam suas atenções ao País

Estadão.com - março de 2013
Abramovay (à esq.), da Avaaz, entrega a senadores petição contra Renan Calheiros - Dida Sampaio/AE - 20/02/2013
Dida Sampaio/AE - 20/02/2013
Abramovay (à esq.), da Avaaz, entrega a senadores petição contra Renan Calheiros
Os números são superlativos e devem acompanhar o avanço da banda larga no País - hoje disponível para 30% dos brasileiros. Dois milhões assinaram uma petição para que a Câmara dos Deputados votasse o projeto da Lei da Ficha Limpa. Um milhão e 600 mil colocaram seu nome contra a eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para presidir o Senado. Recém-eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC-SC) já é alvo de um manifesto pela sua destituição com 280 mil apoiadores.
O fenômeno virtual desperta desconfiança de setores da sociedade que temem que os abaixo-assinados online consolidem o "ativismo de sofá" e enfraqueçam formas tradicionais de protesto, como intervenções urbanas ou marchas em vias públicas.
Mas, para pesquisadores, a tendência é irreversível: a internet consolidou um novo espaço público para debate e formação de opiniões e, assim como provocou mudanças na cultura e na economia, também provocará transformações na política.
Para Pedro Abramovay, diretor de campanhas da Avaaz, ONG internacional de ativismo online que reúne 20 milhões de apoiadores, sendo 3 milhões brasileiros, o modelo tradicional de democracia representativa, com um voto a cada quatro anos, é insuficiente para dar conta de uma realidade na qual os cidadãos podem se conectar rapidamente em torno de um objetivo comum. "Tenho certeza de que a política nunca mais vai ser a mesma", afirma.
Abramovay cita como exemplo o ato de compartilhar uma petição no Facebook, para ele um comportamento "profundamente político" na medida em que a pessoa assume uma posição diante de seus amigos e abre espaço para contra-argumentos. "As pessoas passam tanto tempo na internet, ela é uma parte tão importante para nossas vidas, que considero despolitizador dizer que a política feita ali é menos importante", diz.
Atento ao fenômeno, o parlamento alemão desenvolveu sua própria plataforma oficial para que a população organize abaixo-assinados. Se a petição alcançar 50 mil apoiadores, os deputados são obrigados a discutir o tema. A Casa Branca, nos Estados Unidos, tem sistema parecido, o "We The People".
Lobby. A Avaaz é financiada por doações voluntárias e se define como uma ONG de defesa do interesse público, e não uma mera plataforma de petições. A entidade deleta abaixo-assinados que ferem seus princípios e aposta suas fichas em outros. Sua força vem da união dos manifestos com uma estrutura azeitada para fazer lobby. "A gente combina esse instrumento de petição online com uma equipe que tem acesso a parlamentares, que sabe fazer isso", diz Abramovay, ele mesmo um conhecedor dos meandros de Brasília: foi ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula.
Na campanha contra Calheiros, a Avaaz visitou gabinetes de senadores e contratou uma pesquisa do Ibope, que apontou que 74% dos brasileiros seriam favoráveis à renúncia do alagoano.
Os pastores Silas Malafaia e Feliciano já avisaram que vão processar a ONG após terem petições a seu favor bloqueadas pela entidade. Contrariado, Feliciano organizou um manifesto em seu próprio site e reuniu 150 mil apoiadores. "Isso mostra que nossa atuação tem tido um efeito político grande", diz Abramovay.
Alternativa. Concorrente da Avaaz, a Change.org tem 23 milhões de usuários no mundo - sendo 400 mil brasileiros - e abriu seu escritório no País em outubro. A entidade não deleta petições, permite que duas campanhas com objetivos opostos coexistam na plataforma e afirma não fazer lobby.
"Não cabe à nossa equipe julgar o que é relevante ou não. Nossa política é confiar na transparência, para o bem e para o mal", afirma a diretora de campanhas Graziela Tanaka.
A organização é financiada pela venda de espaço em seu site para quem busca dar maior visibilidade à sua campanha, modelo similar ao adotado por Google ou Facebook.
Em dezembro, o Ministério Público do Estado de São Paulo hospedou na Change.org um dos primeiros abaixo-assinados promovidos por uma instituição pública no País. O manifesto, contrário à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, que retira o poder de investigação criminal dos promotores, obteve 40 mil assinaturas.
"Se não atingir a imagem do político, ele não vai se mexer. Nesse ponto, os abaixo-assinados podem ter êxito", afirma o professor Jorge Machado, coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP.
Ele alerta, no entanto, que as campanhas online tendem a cair no esquecimento com facilidade, pois estão intimamente ligadas ao impacto de uma notícia. "É diferente do que levar dois ônibus de manifestantes para a Câmara. Mas uma não exclui a outra", afirma.
Legislação. O senador Pedro Taques (PDT-MT) anunciou que apresentará, nos próximos dias, uma PEC para incorporar as petições online ao processo legislativo.
Batizado de Medida de Urgência Popular, o mecanismo pretende impor regime de urgência a projetos de lei que tiverem o apoio de um porcentual do eleitorado - o número exato ainda não foi definido.
"Precisamos criar um login cidadão para que as pessoas possam participar", diz Taques. Segundo ele, a Justiça Eleitoral seria responsável pelo desenvolvimento de um sistema online que garanta a autenticidade das petições.