quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


FH diz que Lula atua ‘como uma espécie de presidente adjunto’

  • Fernando Henrique participou de um seminário organizado pela Casa da Artes, na Gávea, Zona Sul do Rio


FH participa de seminário: PT ‘tem o mensalão na testa’
Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo
O GLOBO - RIO E BRASÍLIA- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) alfinetou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira, em evento no Rio. Disse que o petista está inaugurando um novo cargo, o de “presidente adjunto”, já que é um dos principais articuladores das decisões do governo Dilma Rousseff, e tachou a relação do PT com seu governo de caso de “psicanálise”. FH participou de seminário organizado pela Casa das Garças, na Gávea, Zona Sul do Rio, em homenagem aos 70 anos do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Dilma na Guiné Equatorial e eu quando fui preso e deportado...


Dilma na Guiné Equatorial e eu quando fui preso e deportado...





Lendo o noticiário à propósito da viagem da presidenta Dilma a mais uma dessas cúpulas onde se copula politicamente muitas ideias, mas não se fecunda nada, relembrei das minhas aventuras como membro de uma precursora e bem eclética equipe de marketing político pela África no início dos anos 90, liderada por Geraldo Walter de Souza Filho, o saudoso Geraldão, com as presenças ilustres de Ricardo Noblat, Fernando Barros, Ana Maria e os não menos ilustres Maurício Rossi, Hamilton Oliveira, Nestor Amazonas e muitos outros. Fizemos um trabalho muito rico em experiências com o MPLA em Angola que - não por culpa nem por puro mérito nosso - ainda se perpetua no poder desde dos anos 70, sempre com a ajudinha de brasileiros.

Mas o caso que vou relembrar se refere a uma viagem para a Guiné, onde se dizia que o ditador de então e ainda hoje mandatário supremo do país, pretendia fazer uma abertura política. Havia um partido oposicionista exilado em quase sua totalidade na Europa, há longos 14 anos, depois do sanguinário golpe perpetrado por este que até hoje esta no poder. Ele simplesmente havia matado o tio que era o presidente e mais quatro mil opositores ao passar de uma semana no poder.

Ricardo e Geraldão foram convencidos que lá teríamos uma outra campanha política, desta feita levando à disputa um partido oposicionista ao poder. "Com o povo, pelo povo e para o povo", já seria copiado por nós nessa época.

Pois, então, formou-se uma equipe composta por quatro bravos guerreiros do marketing que na companhia do líder oposicionista, na época exilado em Madrid, chegariam na capital Malabo, para documentar o início das negociações entre oposição e governo para a tão sonhada abertura política.

O plano era chegar em Douala, na República dos Camarões, pegar os vistos na embaixada da Guiné, seguir para São Tomé e Príncipe, onde Miguel Trovoada, presidente, receberia e apoiaria como intermediário o nosso cliente e de lá partiríamos para o ilhéu capital Malabo, 300 quilômetros do continente. Como todos podem observar, uma capital geograficamente confortável para qualquer ditador - imagina Brasília nessa situação.

Lá fomos nós, saindo de São Paulo no dia 08 de Dezembro de 1993.

Eu, Ruy Rodrigues, Popy Ribeiro, e um outro sujeito que não me recordo o nome dele agora. Acho que esse branco com relação ao companheiro que esqueci o nome não é por acaso e vocês vão perceber o porquê mais na frente.

Desembarcamos em Zurique, na Suíça, de lá seguimos para Douala cruzando o deserto do Saara numa classe executiva tomando champanha e comendo canapés da Swissair. Uma maravilha! Lá em baixo e bem pequenininho, víamos as torres de exploração de petróleo no maior deserto do mundo e cá as branquelas nos servindo no maior conforto possível.

Chegamos em Douala. Uma cidade onde se via a destruição das florestas africanas sendo transportadas pelas centenas de carretas que circulavam pelas ruas da cidade dividida por etnias e gangues fomentadas, desde a sua ocupação, por ingleses e franceses. Por sinal, um aspecto bastante peculiar eram os bairros divididos até mesmo pela língua. Haviam uns em que se falava francês e outros em que se falava inglês. Até a propaganda de outdoor era - a mesma - em uma língua e em outra. Na época, lá também estava acontecendo uma campanha política e o cartaz de um dos candidatos ostentava um bem produzida foto dele ao lado de um imponente e ameaçador leão, apoiado num criativo e não menos ostensivo slogan: “Homem coragem, homem presidente!”.



Conseguimos os vistos, como já havia sido planejado. Em Douala, encontraríamos com o nosso cliente que a partir dali seguiria conosco até o glorioso dia do retorno à pátria amada.

Hospedados no hotel Meridien, passávamos o tempo na piscina bebendo lá pressione - grandes canecas de chopp - enquanto Ruy não se cansava de medir a temperatura local dentro e fora da piscina com um moderno relógio que havia adquirido na Suíça e que contava com esse indispensável(?) serviço meteorológico.

Vistos em Mãos, partimos para São Tomé. Oh vidão! Hotel Tivoli, praias maravilhosas e uma interminável espera pela recepção - encontro oficial - do presidente Miguel Trovoada. Comendo, bebendo e dormindo. Foi lá que apreciei pela primeira vez os saborosos bifes de tartaruga e carne de macaco oferecidos em pequenos restaurantes do povo local. No hotel nem pensar nessas iguarias.

Amanhecia e anoitecia e nem sinal de “Trovoadas”. O tempo firme e céu límpido fazia soprar sobre as nossas mentes uma certa incerteza de que começava a ficar difícil chover em nossa horta. Quero dizer o seguinte: como haviam sucessivos adiamentos do encontro entre nosso cliente e o nosso principal interlocutor político, tudo levava a crer que algo não estava dando certo.

Aí chega a hora de contar um fato curioso. Depois de uma semana na bela ilha de São Tomé, o candidato nos chama e diz que teríamos de ir ao Gabão encontrar com outra figura de pouca conversa, mas de muita ação. O ditador Omar Bongô nos aguardava para uma reunião. Nos aguardava, assim como, cara pálida? Ele só iria se fosse acompanhado por nossa equipe. Daria um certo status e também garantiria sua integridade física. Como assim sua integridade física? Estávamos correndo algum perigo de vida?

Foi aí que nosso bravo companheiro que, até agora, não lembro a alcunha, amarelou e pediu pra ir embora, abandonando de vez a nossa briosa expedição.

E lá fomos nós para o Gabão. Chegamos e fomos recebidos em almoço pelo presidente no palácio de governo numa pompa só. Depois do lauto banquete o nosso cliente foi ao tete-à-tete com famoso ditador que usava botas com salto falso tentando esconder sua baixa estatura física e, também, moral.

Ao pedirmos as contas no hotel fui surpreendido por uma chamada à suíte do nosso cliente - ele só se hospedava em suíte, dava status. Foi ai que as coisas começaram a ficar mais turvas. O nosso querido cliente me chamou ao canto da sala de estar da suíte e quase cochichando - talvez para a esposa não escutar e se matar - me pediu 100 dólares. Quase caí para trás...

Quando de volta ao encontro dos companheiros, relatei o ocorrido e ouvi um sonoro: fudeeeeeeeu!

Voltamos para São Tomé com o moral baixo. E bote baixo nisso!
Ligamos para o Brasil e os caras - Ricardo e Geraldo - deram um bando de gargalhadas e tentaram nos tranquilizar dizendo que os problemas financeiros dele não eram nossos e que isso poderia ser algo como ter esquecido de levar os dólares dele para a furtiva viagem ao Gabão.

O Natal se aproximava e o dia do desembarque em Malabo se revestia de expectativas.  A essa altura queríamos entregar o mandú e voltar para o nosso doce lar no Brasil.
Até porque, como se diz lá no Recôncavo da minha Bahia, tudo indicava que "aquele angu tinha caroço".

Comendo e bebendo dia e noite num hotel cinco estrelas num paradisíaco arquipélago, eu engordava que nem uma porca. Era pão, vinho, peixe e muito bacalhau. Foi ai que dei de cara com uma dúvida que me perturba até hoje: bacalhau é peixe?

Vésperas do Natal e nosso cliente nos chama e sentencia: depois de amanhã rumamos para Malabo. Mesmo sem as bênçãos de Miguel Trovoada, que até aquele momento não tinha dado as caras com a gente, estava tudo certo e tranquilo para aterrissarmos na famigerada capital da Guiné.

Só que teríamos de alugar um avião para o translado, pois sem o apoio logístico prometido por Trovoada, se não fosse de avião fretado, só de saveiro navegando por uns sete longos dias.

Conseguimos um bimotor pertencente a um mercenário libanês que, por três mil dólares, ele levava a trazia a trupe. Tudo acertado, partimos no início da tarde do dia 22 de dezembro.

Notei que dentro do avião o nosso cliente suava um pouco fora do normal, até porque dentro da aeronave estava até fazendo frio. Mas... vamos em frente.



Depois de quase 90 minutos de voo, o piloto num português sofrível relata que estava sendo observado por dois caças. Logo em seguida começa um diálogo pouco amisto e muito objetivo que, mesmo entre ruídos da comunicação via rádio, conseguíamos ouvir um sonoro "go back!". Em seguida e sem pestanejar o nosso bravo mercenário fez o que no surf se chama de manobra radical e em segundos a proa deu lugar a popa e já navegávamos de volta ao arquipélago do escroto do Trovoada.

Um silêncio ensurdecedor tomou conta de todos dentro da minúscula aeronave e depois que alguém peidou, respiramos profundamente e quase que em uníssono perguntamos: o que foi que aconteceu?

O libanês que mais parecia um Nacib corneado, gaguejando respondeu que eles - os amigos dos caças - mandaram voltar dali mesmo senão derrubariam nossa aeronave libertária.

Mais gaguejando que nosso colega baiano, Gaguinho Fotógrafo, nosso cliente tentava esboçar uma explicação para o ocorrido e esbravejava um "isso não vai ficar assim".

Pousamos na nossa segura ilha decididos a abandonar tudo e tentar retornar depois do réveillon de 1994.
Nossos chefes Geraldão e Noblat nos "convenceram" a passar o Natal por lá, nos garantindo que contatos da Europa teriam assegurado que tudo não passava de ruído na comunicação - eles gostavam muito dessa expressão - e que logo após o "nascimento do menino Jesus" nos seríamos recebidos com festa em Malabo, onde a promissora oposição estava com tudo organizado para a uma grande recepção.

Neste Natal de 1993, acredito que ganhei uns cinco quilos de gordura adiposa com tantas guloseimas numa ceia maravilhosa feita apenas para nós, os únicos hóspedes do hotel a ficarem para passar o Natal por lá. Naquela época, não se fazia muito turismo por aquelas bandas como hoje.

Dia 28 chegou com a certeza de que a nossa expedição seria coroada de glórias. E fomos nós mais uma vez com o mercenário libanês voando rumo a Malabo no final da tarde. O horário havia sido determinado pelo cliente depois de falar com correligionários e acertar os pormenores da chegada, com carreata e comício na praça da capital numa noite que anunciaria o alvorecer de uma nova era para o povo da Guiné.

A viagem foi tranquila, os caças não nos afugentaram e pousamos como previsto no início da noite. Ao nos aproximarmos do hangar de desembarque, achei meio estranho que as milhares de pessoas previstas na calorosa e garantida recepção não podiam ser vistas no mirante do aeroporto.



E fui ficando um pouco apreensivo quando percebi um pelotão bem armado do exército com cara de poucos amigos a nos aguardar na pista.
 Um silêncio mais ensurdecedor ainda que o da primeira viagem assolou o interior do nosso bimotor.

Paramos e antes mesmo que o avião desligasse de vez os motores, alguém abriu a porta aeronave e entre olhares fui escolhido para ser o primeiro a pisar em solo ilhéu.



Fui também o primeiro a apresentar o passaporte e ser preso imediatamente. tentei argumentar que tinha um visto devidamente oficializado pela embaixada em Douala e um calango de patente pediu que eu localizasse o tal visto no passaporte e o apresentasse. Logo que o mostrei, ele sacou um lápis e escreveu sem titubear: cancelado com exclamação no final. Assim foi comigo e com todos os outros da equipe. Nosso cliente, Dom Carmello, foi se afastando de nós sob escolta e depois de algumas horas detidos e sem saber o que poderia acontecer, recebemos um ordem imediata de embarque e assim  fomos expulsos da, hoje promissora república petrolífera africana, onde nossa chefe de Estado se encontra para discutir investimento sob o manto de mais uma ditadura sanguinária de mais de 30 anos. Mas esse negócio de ditadura nunca incomodou o atual partido que governa o Brasil há 10 anos. Até porque ditadura no país dos outros é refresco.

Ah, antes que se fechasse as portas da aeronave eu tive a pachorra de gritar: Adiós, Dom Carmello, adiós!!!

P.S.: Inicialmente detido, nosso bravo opositor de esquerda logo virou um destacado executivo da empresa petrolífera do regime ditador e, pelo que se vê hoje nas noticias sobre essa cúpula, deu certo e prosperou. E a tal democracia que ele representava como baluarte da esperança do seu povo sofrido ficou para depois. Bem depois!

Texto de José Américo Moreira da Silva
Fotos de Popy Ribeiro (Exceto a aérea que é do google)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Venceu? Mas não convenceu


5 de novembro de 2012 - 11:08:47
“Alguma coisa está errada com o PT do Acre”. Esta frase dita pelo ex-presidente Lula ao jornalista Altino Machado, em entrevista no Palácio do Planalto, poucos dias antes de deixar o governo em 2010, perturba o sono dos irmãos Viana, como se fora um zumbido de abelha, permanente, dentro do ouvido.
Perturba tanto que eles parecem que não são capazes de perceber que na mensagem há um indicativo claro de que é preciso parar e refletir sobre a maneira Vianista de fazer política nas terras de Plácido de Castro.
“O Jorge quase não se elegeu senador e o Tião – que a gente esperava que ele tivesse 80, 90 por cento, teve ali 50 vírgula alguma coisa”, continua Lula numa franqueza massacrante, impiedosa.
O Lula reconhece ainda que o Acre da era Vianista, recebeu muitos recursos  federais desde a gestão do FHC, sendo que no seu governo recebeu muito mais, para concluir: não basta apenas construir pontes, obras… o povo precisa sentir o verdadeiro beneficio dessas obras.
2012 chegou, e os Viana não souberam aproveitar em nada a mensagem do líder. Não souberam ou nem ligaram para o que dissera Lula.
A derrota para a oposição em 13 dos 21 municípios do interior do Estado, incluindo ai a reeleição do pemedebista Vagner Sales em Cruzeiro do Sul – maior colégio eleitoral depois da capital – é uma prova inconteste de que os Viana fizeram e fazem ouvidos de mercador para o que disse o chefe petista maior.
A magra vitória na capital em segundo turno, com pouco mais de 1% dos votos válidos, depois de uma disputa marcada por denúncias graves de utilização da máquina pública, campanhas publicitárias oficiais milionárias nas rádios, jornais e TVs feitas de forma ostensiva e com o claro propósito de beneficiar o candidato governista é sinal que a soberba Vianista já foi percebida pelo eleitorado.
Promessas, promessas, promessas…
Obras construídas com a lama dos escândalos…
A erosão política formada e que aprofunda cada vez mais a desigualdade social no Acre, abre a vala para sepultar de vez o que não serve à população em nenhum lugar do nosso Brasil e nem aos brasileirinhos que vivem no além rio Madeira.
Dívidas públicas impagáveis, corrupção, cadeias lotadas de jovens e desgoverno só se sustentam com clientelismo e assistencialismo. E isso é um bomba social prestes a explodir.
Essa vitória petista em Rio Branco tem sim o gosto amargo de um casamento – cheio de sonhos – que começa a se acabar com as terríveis marcas da traição.
Um novo filho é uma tentativa de reconstruir esse casamento e isso, na maioria das vezes, só aumenta a dor e as consequências desse final infeliz.
O PT dos Viana pode até ter achado que venceu em Rio Branco. Venceu? Mas não convenceu. E não tem o que comemorar.
O Acre precisa de planejamento e seriedade na política.
O Acre, assim como o Brasil inteiro, precisa de EDUCAÇÃO de verdade e para todos.
O Acre precisa de ideias e ideais  a serem perseguidos por mais velhos e jovens. Afinal o futuro é agora.
Ah, sobre a combalida e desgastada oposição, eu devo dizer algumas coisa.
Escrevo depois.
José Américo Moreira da Silva

sábado, 3 de novembro de 2012

Fiasco de CPI


POLÍTICA


Merval Pereira, O Globo
A CPI do Cachoeira nasceu de uma estratégia equivocada do ex-presidente Lula e de José Dirceu na tentativa de, se não impedir, pelo menos tumultuar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal.
Já que o adiamento para as calendas gregas não foi conseguido com o assédio pessoal de Lula a ministros, dos quais o mais vistosamente frustrado foi ao ministro Gilmar Mendes, que denunciou a tentativa de chantageá-lo, partiram os petistas para montar uma CPI que colocaria a oposição contra a parede.
Os objetivos principais eram os oposicionistas de maneira geral, o governador de Goiás Marconi Perillo em particular, o Procurador-Geral da República pelo atrevimento das acusações contra o PT, e a imprensa livre representada pela revista Veja.
O rolo compressor governista, no entanto, não foi suficiente para fazer da CPI uma cortina de fumaça para o julgamento do mensalão, e políticos independentes impediram que a estratégia petista desse certo.
Ao contrário, o feitiço voltou-se contra o feiticeiro, e o surgimento da empreiteira Delta com seus vínculos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira colocou o governismo numa sinuca de bico.
Frustradas todas as investidas contra seus inimigos, viram-se os petistas na perspectiva de ser a CPI usada contra seus parceiros caso a investigação sobre o empreiteiro Fernando Cavendish fosse adiante.
A CPI virou palco de uma batalha, fora do controle, até que oposição e situação viram que era melhor exterminá-la sem dar tempo para novos embates.
O Globo fez um levantamento nos 533 requerimentos que não serão votados e constatou uma “troca de chumbo” entre governistas e oposicionistas que poderia atingir a todos.
A oposição propôs uma prorrogação da CPI por seis meses, mas a situação aprovou apenas até o fim do ano, mesmo assim sem nenhuma nova investigação.
Para o deputado Miro Teixeira, um dos líderes da ala independente, os dois lados queriam mesmo esse desfecho, só que alguns posam para a plateia defendendo maiores investigações, mas internamente trabalham pelo fim da CPI.
Seria a “bancada do cancã”, que distrai o público com suas danças, na mordaz definição do parlamentar do Rio.
Tem razão Miro Teixeira quando diz que de nada valeria dar sobrevida à CPI se não fosse para quebrar os sigilos de empresas fantasmas do esquema de Cachoeira que receberam dinheiro da construtora Delta. Mas essa quebra não interessava aos governistas de diversos matizes.
Uma peculiaridade da trama criminosa do bicheiro Cachoeira é que ela é pluripartidária, perfeitamente adaptada aos tempos pragmáticos de coalizões amplíssimas e sem nenhum nexo programático entre tais partidos abrigados pelo generoso guarda-chuva governista.
Cachoeira ia além, e unia governistas e oposicionistas, sem distinção. O ex-senador Demóstenes Torres, expulso do DEM, e o governador Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, que deve ser indiciado pelo CPI, são exemplos goianos desse multipartidarismo.
Assim como o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, representa o petismo e se não for também indiciado será devido à maioria esmagadora do governo na CPI.
O fato é que a construtora Delta tinha ramificações em todos os estados e por todos os partidos, sendo a mais notória a ligação com o governador do Rio Sérgio Cabral, do PMDB, que teve todo o apoio do governo federal para impedir que o sigilo da construtora fosse quebrado.
A CPI do Cachoeira vai se encerrar sem nenhuma contribuição a dar, e enviará os dados que recebeu sob sigilo ao Ministério Público, que investiga o esquema.
Mesmo assim por que parlamentares independentes procuraram por conta própria o Ministério Público em Goiás para combinar a remessa desse material, para que não se perdesse.
Mais um fiasco a confirmar que o Congresso precisa se reciclar para não continuar com a imagem negativa que tem diante da opinião pública.
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Um sinal de que a inflação está saindo do controle: alguns restaurantes e lojas já estão “dando descontos” se o pagamento é em dinheiro. No cartão de crédito, o freguês perde o “desconto”, isto é, a conta vem acrescida de cerca de 5%.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

‘Marcha da insensatez’, por J.R. Guzzo


POLÍTICA


José Roberto Guzzo, VEJA
O advogado paulista Márcio Thomaz Bastos encontra-se, aos 76 anos de idade, numa posição que qualquer profissional sonharia ocupar. Ao longo de 54 anos de carreira, tornou-se, talvez, o criminalista de maior prestígio em todo o Brasil, foi ministro da Justiça no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus honorários situam-se hoje entre os mais altos do mercado — está cobrando 15 milhões de reais, por exemplo, do empresário de jogos de azar Carlinhos Cachoeira, o mais notório de seus últimos clientes.
Num país que tem mais de 800 000 advogados em atividade, chegou ao topo do topo entre seus pares. É tratado com grande respeito nos meios jurídicos, consultado regularmente pelos políticos mais graúdos de Brasília e procurado por todo tipo de milionário com contas a acertar perante o Código Penal.
Bastos é provavelmente o advogado brasileiro com maior acesso aos meios de comunicação. Aparece em capas de revista. Publica artigos nos principais veículos do país. Aparece na televisão, fala no rádio e dá entrevistas. Trata-se, em suma, do retrato acabado do homem influente.


É especialmente perturbador, por isso tudo, que diga em voz alta as coisas que vem dizendo ultimamente. A mais extraordinária delas é que a imprensa “tomou partido” contra os réus do mensalão, a ser julgado em breve no Supremo Tribunal Federal, publica um noticiário “opressivo” sobre eles e, com isso, desrespeita o seu direito de receber justiça.
Se fosse apenas mais uma na produção em série de boçalidades que os políticos a serviço do governo não param de despejar sobre o país, tudo bem; o PT e seus aliados são assim mesmo. Mas temos, nesse caso, um problema sério: Márcio Thomaz Bastos não é um boçal. Muito ao contrário, construiu uma reputação de pessoa razoável, serena e avessa a jogar combustível em fogueiras; é visto como um adversário de confrontos incertos e cético quanto a soluções tomadas na base do grito.
É aí, justamente, que se pode perceber com clareza toda a malignidade daquilo que vem fazendo, ao emprestar um disfarce de seriedade e bom-senso a ações que se alimentam do pensamento totalitário e levam à perversão da justiça.
Por trás do que ele pretende vender como um esforço generoso em favor do direito de defesa, o que realmente existe é o desejo oculto de agredir a liberdade de expressão e manter intacta a impunidade que há anos transformou numa piada o sistema judiciário do Brasil.
Age, nesses sermões contra a imprensa e pró-mensalão, como um sósia de Lula ou de um brucutu qualquer do PT; mas é o doutor Márcio Thomaz Bastos quem está falando — e se quem está falando é um crânio como o doutor Márcio, homem de sabedoria jurídica comparável à do rei Salomão, muita gente boa se sente obrigada a ouvir com o máximo de respeito o que ele diz.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Farsa histórica



MERVAL PEREIRA20.6.2012 9h38m
A foto que incomodou Luiza Erundina e chocou o país, do ex-presidente Lula ao lado de Paulo Maluf para fechar um acordo político de apoio ao candidato petista à Prefeitura paulistana (o nome dele pouco importa a essa altura) é simbólica de um momento muito especial da infalibilidade política de Lula.

Sua obsessão pela vitória em São Paulo é tamanha que ele não está mais evitando riscos de contaminação como o que está assumindo com o malufismo, certo de que tudo pode para manter ou ampliar o seu poder político.

O choque causado por esse movimento radical pouco importará se a vitória vier em outubro. Mas se sobrevier uma derrota, a foto nos jardins da mansão daquele que não pode sair do país por que está na lista dos mais procurados pela Interpol será a marca da decadência política de Lula, que estará então encerrando um largo ciclo político em que foi considerado insuperável na estratégia eleitoral.

Até o momento, as alianças políticas com Maluf eram feitas por baixo dos panos, de maneira envergonhada, como a negociação em que o PSDB paulista fechava um acordo com o PP em busca de seu 1m30s de tempo de propaganda eleitoral.

A própria Erundina disse, candidamente, que o que a incomodara foi o excesso de exposição do acordo partidário.

Maluf, do seu ponto de vista, agiu com a esperteza que sempre o caracterizou, mas com requintes de crueldade.

Ao exigir que Lula fosse à sua casa para selar o acordo, e chamar a imprensa para registrar o momento glorioso para ele e infame para grande parte dos petistas, ele estava se aproveitando da fragilidade momentânea do PT, que tem um candidato desconhecido que precisa ser exposto ao eleitorado para tentar se eleger.

Lula, como se esse fosse o último reduto eleitoral que lhe falta controlar, está fazendo qualquer negócio para viabilizar a candidatura que inventou.

Já se entregara ao PSD do prefeito Gilberto Kassab, provocando um racha no PT talvez tão grande quanto o de agora, e acabou levando uma rasteira que já prenunciava que talvez o rei estivesse nu.

Agora, quem lhe deu a rasteira foi uma dupla irreconciliável, que Lula tentou colocar no mesmo saco sem nem ao menos ter se dado ao trabalho de conversar antes: Luiza Erundina, que um dia foi afastada do PT por ter aceitado um ministério no governo de coalizão nacional de Itamar Franco, agora se afasta do PT malufista.

E Maluf, que vinha minguando como força política, viu a possibilidade de recuperar a importância estratégica em São Paulo no pouco mais de um minuto de televisão que o PP detém por força de lei.

A sucessão de erros políticos que Lula parece vir cometendo nos últimos meses – a escolha de Haddad, o encontro com Gilmar Mendes, a CPI do Cachoeira, o acordo com Maluf – só será superada se acontecer o que hoje parece improvável, uma vitória de Fernando Haddad.

No resto do país, o PT está submetendo os aliados a seus interesses paulistas, fazendo acordos diversos para garantir em São Paulo uma aliança viável.

A foto de Lula confraternizando com Maluf tem mais um aspecto terrível para a biografia do ex-presidente: ela explicita uma maneira de fazer política que não tem barreiras morais e contagiou toda a política partidária, deteriorando o que já era podre.

As alianças políticas entre Lula, José Sarney, Fernando Collor e Maluf colocam no mesmo barco políticos que já estiveram em posições antagônicas fazendo a História do Brasil, e hoje fazem uma farsa histórica.
Em 1989, José Sarney era presidente da República depois de ter enfrentado Paulo Maluf no PDS. Ante uma previsível vitória do grupo de Maluf derrotando o de Mario Andreazza, Sarney rompeu com partido que presidia, ajudou a fundar a Frente Liberal (PFL) e foi vice de chapa de Tancredo.

Na campanha presidencial da sucessão de Sarney, Lula disse o seguinte dos hoje aliados Sarney e Maluf: "A Nova República é pior do que a velha, porque antigamente era o militar que vinha na TV e falava, e hoje o militar não precisa mais falar porque o Sarney fala pelos militares e os militares falam pelo Sarney. Nós sabemos que antigamente se dizia que o Adhemar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Pois bem: Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão (sic), mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República, perto dos assaltos que se faz".

Na mesma campanha, Collor não deixou por menos: chamou o então presidente Sarney de "corrupto, incompetente e safado".

Durante a campanha das Diretas Já Lula se referiu assim a Maluf: "O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente".

Maluf e Collor tinham a mesma opinião sobre o PT até recentemente. Em 2005, quando Maluf foi preso e Lula festejou, e recebeu a seguinte resposta: “(..) se ele quiser realmente começar a prender os culpados comece por Brasília. Tenho certeza de que o número de presos dá a volta no quarteirão, e a maioria é do partido dele, do PT".

Já em 2006, em plena campanha presidencial marcada pelo mensalão, Collor disse que foi vítima de um "golpe parlamentar", do qual teriam participado José Genoino e José Dirceu,"enterrados até o pescoço no maior assalto aos cofres públicos já praticado nessa nação".

E garantiu: "Quadrilha quem montou foi ele (Lula)", citando ainda Luiz Gushiken, Antonio Palocci, Paulo Okamotto, Duda Mendonça, Jorge Mattoso e Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente.

São muitas histórias e muita História para serem esquecidas simplesmente por que Lula assim decidiu.

Sobre o assunto, confira o comentário exibido pelo Jornal das Dez, da Globonews, nesta terça-feira (20/06)