segunda-feira, 9 de abril de 2012

PSDB resolve começar pré campanha para presidente 2014 em Pernambuco



Tudo indica que depois da auto-crítica feita em público pelo governador paulista Geraldo Alckmim, o PSDB resolveu sair do armário e assumir que precisa se movimentar para reerguer o partido no País.
Escalado como estrela pelos tucanos e já assumindo sua pré candidatura à presidência da República nas próximas eleições de 2014, o senador mineiro Aécio Néves vai percorrer o país com o objetivo de resgatar a militância tucana e dar um novo gás ao partido para as eleições municipais deste ano.
O presidenciável está trabalhando, também, na organização de um megasseminário sobre segurança pública em Recife, capital de Pernambuco. A ideia do senador mineiro é realizar um evento nos moldes do seminário A nova agenda: desafios e oportunidades para o Brasil, organizado pela economista Elena Landau e promovido no Rio de Janeiro pelo Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, em novembro do ano passado.
Aécio pretende levar ao seminário representantes da prefeitura de Nova York para apresentar aos tucanos a política de “tolerância zero”, projeto de combate à criminalidade que se tornou bandeira do ex-prefeito Rudolph Giuliani e do atual, Michael Bloomberg.
Outra provável presença internacional é a do ex-prefeito de Bogota e ex-candidato derrotado à presidência da Colômbia Antanas Mockus, responsável por implantar experiências urbanas revolucionárias na capital durante sua gestão.
A expectativa de Aécio é repetir o sucesso de público do evento no Rio e reunir figurões do partido como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os governadores Geraldo Alckmin e Antônio Anastasia e até o ex-governador José Serra, pré-candidato a prefeito de São Paulo.
Porém a presença mais desejada na abertura oficial do seminário é a do governador pernambucano e presidente nacional do PSB Eduardo Campos. Assessores tucanos garantem que o presidente do PSDB Sérgio Guerra, conterrâneo e amigo, já fez o convite e aguarda ansioso a confirmação.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em Rondônia, trabalhadores de Jirau incendeiam 30 alojamentos



No site Terra Magazine por Altino Machado 
O canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO), voltou a ser palco de novo conflito na madrugada desta terça-feira (3) por causa de questões trabalhistas. Segundo a Construtora Camargo Corrrêa, os trabalhadores incendiaram e depredaram cerca de 30 alojamentos.
Contratada pelo consórcio de Jirau para construção das obras civis da usina hidrelétrica no Rio madeira, a Camargo Corrêa divulgou uma nota em que confirma que “novos atos de vandalismo voltaram a ser praticados no canteiro de obras”.
- Não houve registro de vítimas em razão desta ocorrência - assinala a nota.
Após os novos conflitos, cerca de 7 mil trabalhadores serão removidos de Jirau para Porto Velho. A Camargo Corrêa está mobilizando recursos para a contratação dos ônibus que vão transportar os trabalhadores. A tropa de choque da PM e a Força Nacional estão garantindo segurança na região.
Veja a nota da empreiteira:
“A Construtora Camargo Corrêa, contratada pelo consórcio de Jirau para construção das obras civis da usina hidrelétrica no rio madeira, informa que na madrugada desta 3ª feira (03/04) novos atos de vandalismo voltaram a ser praticados no canteiro de obras com o incêndio e depredação de cerca de 30 unidades de alojamentos de trabalhadores (aproximadamente 30% do total). Não houve registro de vítimas em razão desta ocorrência.
Após paralisação de 26 dias, provocada por uma greve que foi julgada ilegal pela justiça do trabalho, as atividades foram retomadas com a aprovação pela assembleia dos trabalhadores de proposta de acordo mediada pela Delegacia Regional do Trabalho. Foi aprovada a antecipação de reajustes no salário de até 7% e do valor da cesta básica para até R$ 220,00, além de não descontar os dias parados que seriam compensados futuramente.
Neste momento os esforços estão concentrados na mobilização de recursos para retirada com segurança dos trabalhadores alojados no canteiro de obras (cerca de 7 mil pessoas) e que desejam deixar o local. Ônibus, alimentação e alojamento provisório em Porto Velho, capital do Estado de Rondônia, estão sendo providenciados para triagem e encaminhamento dos trabalhadores às suas cidades de origem.
A Força Nacional de Segurança estava presente no canteiro de obras, distante 130 quilômetros de Porto Velho. Os prejuízos materiais ainda não podem ser avaliados.”

terça-feira, 3 de abril de 2012

Demóstens joga a toalha e pede pra sair do DEM


Fernanda Krakovics, O Globo
Para evitar a expulsão do partido, dada como certa, o senador Demóstenes Torres (GO) pediu no final da manhã desta terça-feira sua desfiliação do DEM. Deste modo, ele continua no Senado, mas sem partido.
Acusado de envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, ele corre o risco agora de enfrentar um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. Na carta em que pediu para deixar a sigla, Demóstenes fala em "prejulgamento", o que foi refutado pelos dirigentes do partido.
"Embora discordando frontalmente da afirmação de que eu tenha me desviado reiteradamente do programa partidário, mas diante do prejulgamento público que o partido fez, comunico minha desfiliação do Democratas", afirmou Demóstenes, na carta entregue por um assessor ao presidente do partido, senador José Agripino (RN).
Na segunda-feira, sob pressão, o DEM resolveu abrir processo de expulsão por conta das denúncias de envolvimento com Cachoeira, preso em fevereiro durante operação da Polícia Federal. Gravações telefônicas feitas pela PFe divulgadas pelo GLOBO mostram que Demóstenes usou cargo de senador para beneficiar Cachoeira. O senador chama o bicheiro de 'Professor', que, por sua vez, trata Demóstenes como 'Doutor'.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Senador Demóstens fala no PGM do DEM em dezembro passado.

O marketing não pode fazer milagre nem deve inventar estórias. Veja o que disse o Senador Demóstens Torres no último programa de TV do DEM, em 15 de dezembro do ano passado, portanto, há menos de 120 dias atrás. Mordeu a língua e decretou o fim do partido.





A força (ainda) oculta do PSD do prefeito Gilberto Kassab


Decisões da Justiça sobre tempo de TV e fundo partidário mudarão jogo político nas eleições. Estreante, partido quer estar ao lado dos vencedores


Um mês depois de conseguir o registro na Justiça Eleitoral, em setembro do ano passado, o PSD do prefeito Gilberto Kassab entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com recurso para obter direito a espaço no horário eleitoral de rádio e TV, mas, principalmente, direito ao reparte do fundo partidário. São exatamente essas decisões que podem (e devem) alterar o jogo político das eleições municipais deste ano.  E mexer ainda mais com os ânimos daqueles que trabalham com os olhos voltados para as eleições presidenciais de 2014. 
A expectativa dos advogados do PSD é que até o fim do mês o TSE julgue a ação em que a sigla pede que sua cota seja calculada de acordo com a bancada de 52 deputados. O partido espera conquistar ao menos dois minutos do tempo de propaganda.  "Como foi respeitada a fidelidade partidária e não houve traição dos parlamentares ao eleitor, o PSD deve, sim, ter os mesmos direitos dos mesmos partidos", afirma o advogado do PSD, Admar Gonzaga.
Levantamento feito pelo TSE mostrou que, somando os votos de deputados federais e suplentes, o partido teria conquistado, em 2010, um total de 5,1 milhões de votos. Com base nessa informação, a sigla briga na Justiça para receber cerca de 1,6 milhão de reais por mês do fundo reservado às legendas. De acordo com a legislação eleitoral, 5% dos recursos do fundo partidário são distribuídos a todos os partidos e 95% de forma proporcional ao número de votos da última eleição para a Câmara dos Deputados. 
Por enquanto, no entanto, a Justiça tem levado em consideração que, como foi criado no ano passado e não elegeu bancada federal em 2010, o partido de Kassab não tem direito ao dinheiro do fundo e ao tempo no horário eleitoral. Se essa situação for mantida, o PSD terá direito a apenas 42.524,29 reais do fundo partidário por mês. 
Catorze partidos que perderam deputados para o partido recém-criado  - entre eles o PT, com o qual Kassab chegou a tentar uma aproximação para uma aliança em São Paulo - se manifestaram contra o PSD receber mais dinheiro do fundo. O material foi incluído no processo que está nas mãos do ministro Marcelo Ribeiro, do TSE.  
Derrotas - A legenda sofreu duas severas derrotas na Justiça em fevereiro. No início do mês, o TSE decidiu que o PSD seria tratado como nanico e concedeu à legenda direito a veicular o programa partidário obrigatório de rádio e TV de só cinco minutos neste semestre. O partido pleiteava o mesmo tempo das grandes siglas, de dez minutos de programa partidário, além das inserções de trinta segundos e um minuto semestrais. Os advogados do PSD recorreram. 
No final do mesmo mês de fevereiro, a segunda derrota: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto negou pedido do PSD sobre a distribuição de cargos na Câmara. O partido, que reivindicava a presidência de ao menos duas comissões permanentes da Casa, recorreu ao STF depois que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), decidiu que ele não tinha os mesmos direitos das demais siglas na divisão dos cargos.
Os advogados do PSD acreditam, porém, que essas derrotas não vão interferir nas próximas decisões da Justiça. Mesmo assim, os líderes do partido já começaram a trabalhar com o "cenário real" e montaram uma estratégia para a eleição de 2012 que não leva em conta uma decisão favorável em relação ao tempo no horário eleitoral. "Temos que trabalhar com o cenário de hoje, não do que teremos no futuro", diz o líder do partido na Câmara, deputado Guilherme Campos. 
Foco nos vereadores -  O estreante PSD não apostará suas fichas em cargos do Executivo. Nesse caso, vale mais ficar ao lado dos vencedores do que propriamente vencer. A não-definição do fundador do partido, Gilberto Kassab, de que o PSD "não é de esquerda, nem de direita, nem de centro" será bastante conveniente nessa tarefa.
A legenda criada pelo prefeito de São Paulo está focada nas alianças para a formação de bancadas municipais. As coligações serão formadas "levando em conta as realidades locais e as forças políticas regionais", diz o vice-governador Guilherme Afif Domingos, um dos fundadores do partido.  O PSD optará por coligações que darão mais tempo de TV à legenda.
Na capital paulista, por exemplo, o PSD já começou a trabalhar para eleger ao menos doze das 55 cadeiras em disputa na Câmara Municipal. E aposta que a aliança com o PSDB é fundamental para esse projeto – mas os tucanos já deram início a um movimento para impedir a aliança proporcional com o partido de Kassab na chapa de vereadores. Atualmente, o PSD tem a segunda maior bancada da Câmara paulistana, atrás apenas do PT, com onze vereadores.
As pretensões de Kassab - Os principais líderes do partido consideram 2012 o ano de preparação da base do PSD e do programa partidário. "Depois de vencer a primeira etapa, conseguir o registro na Justiça Eleitoral, vamos mostrar que não somos artificiais", diz Guilherme Campos. "Por enquanto, vamos mostrar só parte do que é o PSD". 
Até o fim de 2013, o PSD pretende estar consolidado para, em 2014, estar com força e musculatura políticas suficientes para disputar os cargos majoritários. E, como se sabe, nas pretensões de Kassab está a Presidência da República. Seja ele ou não o candidato a comandar a nação.

Veja/ Thais Arbex e Cida Alves

Pesca em águas turvas.


O Estado de S.Paulo
Editorial
Bem que o então presidente Lula avisou: "O que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente". À época, em meados de 2005, ele falava do caixa 2 dos partidos e seus candidatos. Tratava-se de uma marota tentativa de calar a denúncia do mensalão, reduzindo o escândalo sem precedentes da compra sistemática de votos de deputados em benefício do seu governo ao que seria o pecadilho - amplamente difundido - do recebimento e dispêndio de "recursos não contabilizados" para ganhar eleições, conforme o eufemismo do memorável tesoureiro petista Delúbio Soares.
Mas não será por falta de empenho de sua gente que o álibi confeccionado por Lula há quase sete anos perderá atualidade. Que o digam, por exemplo, os seus companheiros de Santa Catarina. E que o diga a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati, alçada pela presidente Dilma ao cargo de coordenadora política do Planalto depois de ocupar, entre janeiro e junho do ano passado, o semiclandestino Ministério da Pesca - como parco prêmio de consolação por ter perdido a disputa pelo governo do Estado, em outubro de 2010. Em recursos contabilizados, o PT estadual bancou 81% dos R$ 3,6 milhões que a campanha custou. No meio do caminho, o partido recebeu uma doação de R$ 150 mil.
Aí que a história começa a ficar parecida com tantas outras que fazem parte dos usos e costumes políticos do País - com a suposta diferença de que o PT "tem na ética uma de suas marcas mais extraordinárias", nas palavras de Lula para exorcizar o mensalão. Entre 2009 e 2010, sendo o titular da Pesca o também catarinense Altemir Gregolin, a pasta encomendou a uma empresa local, Intech Boating, um total de 28 lanchas-patrulha, ao custo de R$ 31 milhões. Nesse meio tempo, o sócio majoritário da Intech, o paulista José Antonio Galízio Neto, de longa data filiado ao PT, recebeu o irrecusável convite de doar os referidos R$ 150 mil ao comitê financeiro do partido - o que aceitou prazerosamente.
"Não achei nada demais", disse Galízio ao Estado, "porque no governo para quem eu estava trabalhando, faturando naquele momento R$ 23 milhões, R$ 24 milhões, não havia (sic) nenhum tipo de irregularidade." No entanto, como quem quer que o interlocutor confunda popa com proa, ele ora afirmou que "a solicitação de doação veio pelo Ministério da Pesca, é obvio", ora que veio de um político local, que estaria querendo "se aproveitar do negócio" e cujo nome ele se recusou a dar. "Com a insistência, falei: 'tudo bem, vou fazer a doação para o partido'." Seria o toma lá dá cá das enlameadas relações entre a área pública enfeudada pelos partidos e os seus fornecedores, não fossem alguns agravantes.
Primeiro, o Ministério não tinha nada que comprar lanchas para coibir a pesca irregular, simplesmente porque isso ainda não fazia parte de suas atribuições. Segundo, a pasta não foi capaz de encontrar nem serventia nem abrigo para a flotilha. Tanto que 23 das 28 embarcações ficaram no estaleiro dos próprios fornecedores. "O Ministério me deve quase R$ 400 mil porque fiquei guardando os barcos, limpos e funcionando", reclama Galízio. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) comprovou a enormidade. Em terceiro lugar, a investigação apontou indícios de superfaturamento e licitação dirigida. Sintomaticamente, no último dia de seu mandato, em 2010, o ministro Gregolin encomendou à Intech mais cinco lanchas, embora não soubesse o que fazer com as outras.
Dificilmente a ministra Ideli Salvatti conseguirá navegar politicamente ao largo do escândalo. Se é verdade que não era ela quem conduzia o momentoso Ministério da Pesca, é verdade também que ela não ficou alheia ao arrastão do dinheiro público na pasta. Com bons motivos, decerto, ela aparece no centro da foto da assinatura de uma compra das inúteis lanchas-patrulha - bem no ano em que tentou se eleger governadora de Santa Catarina e pouco antes de substituir o companheiro Gregolin.
Já ao partido só resta agarrar-se à boia lançada por Lula em 2005: "Não é por causa do erro de um dirigente ou de outro que você pode dizer que o PT está envolvido em corrupção".

domingo, 1 de abril de 2012

Aceitação de práticas de corrupção como ‘fatos da vida’ deforma o país


POLÍTICA


Houve tempo em que se dizia que ou o Brasil acabava com a saúva ou a saúva acabaria com o Brasil. As saúvas andam por aí, não acabaram, e nem o Brasil acabou. Será a mesma coisa com a corrupção? Que ela anda vivinha por aí, não restam dúvidas, que acabe com o Brasil, é pouco provável, que acabe no Brasil, tampouco. Mas que causa danos enormes é indiscutível.
Haverá quem diga que sempre houve corrupção no país e pelo mundo afora, o que provavelmente é certo, mas a partir de certo nível de sua existência e, pior, da aceitação tácita de suas práticas como “fatos da vida”, se ela não acaba com o País, deforma-o de modo inaceitável. Estamos nos aproximando desse limiar.
Há formas e formas de corrupção, especialmente das instituições e da vida política. A mais tradicional entre nós é o clientelismo (a prática de atender os amigos, e os amigos dos amigos, nomeando-os para funções públicas), a troca de favores e o patrimonialismo, isto é, a confusão entre público e privado, entre Estado e família.
Tudo isso é antigo e deita raízes na Península Ibérica. A frase famosa “é dando que se recebe”, de inspiração dita franciscana, referia-se mais à troca de favores do que ao recebimento de dinheiro.
Por certo, um sistema político assentado nessas práticas já supõe o desdém da lei e é tendente a permitir deslizes mais propriamente qualificados como corrupção. Mesmo quando não haja suborno de funcionários ou vantagem pecuniária pela concessão de favores, prática que os juristas chamam de prevaricação, os apoios políticos obtidos dessa maneira são baseados em nomeações que implicam em gasto público.
Progressivamente, tais procedimentos levam a burocracia a deixar de responder ao mérito, ao profissionalismo. Com o tempo, as gorjetas e mesmo o desvio de recursos — o que mais diretamente se chama de corrupção — aumentam, como consequência desse sistema.
Nos dias que correm, entretanto, não se trata apenas de clientelismo, que por certo continua a existir, pelo menos parcialmente, mas de algo mais complexo. Se o sistema patrimonialista tradicional já contaminava nossa vida política, a ele se acrescenta agora algo mais grave.
Com o desenvolvimento acelerado do capitalismo e com a presença abrangente dos governos na vida econômica nacional, as oportunidades de negócios entremeados por decisões dependentes do poder público se ampliaram consideravelmente. E as pressões políticas se deslocaram do mero favoritismo para o “negocismo”.
Há contratos por todo lado a serem firmados com entes públicos, tanto no âmbito federal como no estadual e no municipal. Crescentemente, os apoios políticos passam a depender do atendimento do apetite voraz de setores partidários que só se dispõem a “colaborar” se devidamente azeitados pelo controle de partes do governo que permitam decisões sobre obras e contratos.
Mudaram, portanto, o tipo de corrupção predominante e o papel dela na engrenagem do poder. Dia chegará — se não houver reação — em que a corrupção passará a ser condição de governabilidade, como acontece nos chamados narcoEstados. Não naturalmente em função do tráfico de drogas e do jogo (que também podem se propagar), mas da disponibilidade do uso da caneta para firmar ordens de serviço ou contratos importantes.
Não por acaso ouvem-se vozes, cada vez mais numerosas, na mídia, no Congresso e mesmo no governo, a clamar contra a corrupção. E o que é mais entristecedor, algumas delas por puro farisaísmo, como ainda agora, em clamoroso caso que afeta o Senado e sabe Deus que outros ramos do poder.
O perigo, não obstante, é que se crie uma expectativa de que um líder autoritário ou um partido salvador seja o antídoto para coibir a disseminação de tais práticas. Em outros países, já vimos líderes supostamente moralizadores engolfarem-se no que diziam combater, e a experiência com partidos “puritanos”, mesmo entre nós, tem mostrado que nem eles escapam, aqui ou ali, das tentações de manter o poder ao preço por ele cobrado.
Quando este passa a ser a conivência com o setor gris da sociedade, lá se vão abaixo as belas palavras, deixando um rastro de desânimo e revolta nos que nelas acreditaram.
A experiência histórica mostra, contudo, que há caminhos de recuperação da moral pública.
Na década de 1920, nos Estados Unidos, havia práticas dessa natureza em abundância. O controle político exercido por bandos corruptos aboletados nas câmaras municipais, como em Nova York, por exemplo, onde o Tammany Hall deixou fama, é arquiconhecido. As ligações entre o proibicionismo do álcool e o poder político, da mesma forma.
Pouco a pouco, sem nunca por certo eliminar a corrupção completamente, o caráter sistêmico desse tipo de procedimento foi sendo desmantelado. A custa do quê? Pregação, justiça e castigo. Hoje, bem ou mal, os “graúdos”, pelo menos alguns deles, também vão para a cadeia.
Ainda recentemente, em outro país, na Espanha, depois de rumoroso escândalo, alto personagem político foi condenado e está atrás das grades. Não há outro meio para restabelecer a saúde pública senão a exemplaridade dos líderes maiores, condenando os desvios e não participando deles, o aperfeiçoamento dos sistemas de controle do gasto público e a ação enérgica da Justiça.
A despeito do desânimo causado pela multiplicação de práticas corruptas e pela impunidade vigente, há sinais alvissareiros. É inegável que os sistemas de controle, tanto os tribunais de contas, como as auditorias governamentais e as promotorias, estão mais alertas, e a mídia tem clamado contra o mau uso do dinheiro e do patrimônio público.
A ação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as decisões do Supremo sobre a validade da Lei da Ficha Limpa mostram que o clamor começa a despertar reações.
Mas é preciso mais. Necessitamos de uma reforma do sistema de decisões judiciais, na linha do que foi proposto pelo ministro Peluso, para acelerar a conclusão dos processos e dificultar que bons advogados posterguem a consumação da Justiça.
Só quando se puserem na cadeia os poderosos que tenham sido condenados por crimes de colarinho branco, o temor, não da vergonha, mas do cárcere, coibirá os abusos.
Não nos esqueçamos, porém, de que existe uma cultura de tolerância que precisa ser alterada. Não faltam conhecidos corruptos a serem brindados em festas elegantes e ter quem os ouça como se impolutos fossem. As mudanças culturais são lentas e dependem de pregação, pedagogia e exemplaridade. Será pedir muito?
E não nos devemos esquecer de que a responsabilidade não é só dos que transgridem e da pouca repressão, mas da própria sociedade, isto é, de todos nós, por aceitar o inaceitável e reagir pouco diante dos escândalos. 

Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente da República